Tem que tomar vacina para estudar nos Estados Unidos?

Uma pergunta que muitas pessoas me fazem é se eu já tomei todas as vacinas pra poder entrar nos EUA. O que nem todo mundo sabe é que para entrar lá, não é exigida nenhuma vacina. A não ser que você vá fazer uma paradinha básica pré-doutorado ou um voo onde será necessário que você faça imigração no Panamá. Aí você te que estar com a vacina de Febre Amarela em dia (validade de 10 anos) e com a Carteira Internacional de Vacinação, indicando a vacina no prazo ou que foi vacinado pelo menos 10 dias antes da viagem.

Para estudantes, entretanto, a exigência das vacinas é feita pela universidade de destino. Ou seja, as exigências serão diferentes para cada um e podem variar, inclusive, dependendo do departamento do qual você fará parte. Geralmente, estudantes da área de saúde ou aqueles que irão frequentar departamentos vinculados a essas áreas tem uma lista maior de agulhadas para tomar. Na tabela abaixo, podemos encontrar uma lista das vacinas mais comumente exigidas ou recomendadas. Lembrando que algumas são obrigatórias, outras apenas uma recomendação da universidade. É preciso verificar com o departamento de saúde da sua universidade quais os requisitos. Particularmente, eu coloquei todas as vacinas possíveis em dia. Não vejo motivo de não fazê-lo, é sempre melhor prevenir que remediar.

Sarampo / caxumba / rubéola (MMR ou tríplice viral) 2 doses ou título de anticorpos positivo
Doença Meningocócica (Quadrivalente) Imunização nos últimos 5 anos
Tétano / Difteria / Coqueluche (DTaP) Imunização nos últimos 10 anos
Hepatite B Série de 3 imunizações ou título de anticorpos positivos
Influenza Imunização no último ano
Febre Amarela Imunização nos últimos 10 anos
Catapora Série de 2  imunizações ou título de anticorpos positivos

 

A maioria das vacinas exigidas é oferecida gratuitamente na rede pública e está no calendário de vacinação do adulto. Algumas, entretanto, só são encontradas na rede privada e outras nem isso. Um exemplo é a DTaP. A rede pública oferece a vacina dupla tipo adulto, que imuniza apenas contra tétano e difteria. Algumas universidade, porém, pedem que o aluno também seja imunizado contra a coqueluche. A tríplice da rede pública é indicada somente para crianças e pode levar a sérias reações adversas em adultos. A DTaP adulto é acelular, portanto não promove essas reações e é encontrada em centros de imunização privados. Um outro exemplo é a Meningocócica, que não tem sido encontrada em lugar nenhum no Brasil. No meu caso, eu tive que assinar um documento e enviar para a universidade falando que me comprometo em tomar a vacina assim que chegar lá ou me responsabilizo por qualquer consequência da não imunização.

Caso tenha perdido o seu cartão de vacinação, você tem duas opções: tomar as vacinas novamente e/ou fazer exames que comprovem a presença de anticorpos contra as doenças. No caso da catapora, por exemplo, esse exame será bem útil. Todo mundo já foi criança e praticamente todos tiveram catapora. Talvez não seja muito comum as crianças terem catapora por lá, mas uma vacina sempre exigida é contra a varicela. Como a maioria por aqui no Brasil já teve essa coceirinha gostosa, eles pedem o exame comprovando a presença de anticorpos.

Outro exame bem solicitado é pra comprovar que o aluno não tem tuberculose. O mais simples é Teste Tuberculínico, também conhecido como PPD (Derivado Proteico Purificado). O problema é que pessoas que já foram imunizadas com a vacina BCG podem apresentar resultado positivo. Daí é só tirar um raio-X do pulmão para provar que não tem a doença. Como tudo varia de uma universidade pra outras, algumas pedem testes específicos e mais acurados, como QuantiFERON GOLD ou T-spot, porém mais caros também.

Uma vez imunizado contra todas as doenças estabelecidas pela universidade, o que fazer? Pelo que tenho visto, a maioria das universidades não pede o Cartão de Vacinação original e/ou traduzido. Elas oferecem um formulário que um médico ou enfermeiro deve preencher e assinar, indicando a data da sua vacinação (conforme ele irá conferir na sua carteirinha) e atestando que aquela informação é verdadeira. Caso a universidade peça a tradução da sua carteirinha, é bom levar pra um tradutor juramentado para não ter problemas.

Nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte podem ser encontrados locais que oferecem um serviço de atendimento ao viajante, que visam orientar os viajantes no que diz respeito à diminuição dos riscos de aquisição de doenças durante viagens, doenças transmissíveis e vacinas. A pessoa pode agendar uma consulta para receber as orientações necessárias e devido encaminhamento.

 

Belo Horizonte

Centro de Atenção à Saúde do Viajante

Endereço: Rua Paraíba, 890 – Funcionários

Telefone: 31 3246-5026 31 3277-5300

E-mail: saude.viajante@pbh.gov.br

Horário de Funcionamento: 2ª a 6ª das 8h às 17h.

 

São Paulo

Núcleo de Medicina do Viajante

Instituto de Infectologia Emílio Ribas

Tel.: 55 11 3896-1366

e-mail: medviajante@emilioribas.sp.gov.br

 

Ambulatório dos Viajantes

Hospital de Clínicas da USP

Tel.: 55 11 2661-6392

Prédio dos Ambulatórios – 4º andar – sala 8 Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, Cerqueira César, São Paulo – Capital

Aberto das 8h às 16h. Emergência 24h

 

Ambulatório de Medicina do Viajante

Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Rua Borges Lagoa, 770 – Vila Clementino

Tel.: 55 11 5084-5005

Horário de Atendimento: segunda a sexta das 13h30 às 17h.

 

Rio de Janeiro

Centro de Informação em Saúde para Viajantes

Hospital Universitário da UFRJ

e-mail: agenda@cives.ufrj.br

Cidade Universitária da UFRJ (Ilha do Fundão), 5o. andar do prédio do – Hospital Universitário, Ala Sul, sala 2.

Enviando documentos: diplomas, transcripts, traduções juramentadas e o tal do coversheet form

O MINISTÉRIO DO BOM SENSO ADVERTE: as dicas a seguir foram escritas com base no processo de doutorado pleno pelo Ciência sem Fronteiras, para os Estados Unidos da América, por intermédio da LASPAU. Porém todas elas podem servir para outros candidatos a outros processos e, naturalmente, com outros destinos.

[Um post de Livia Palmerston e Nanda Cruz Rios]

Seja você candidato a uma pós-graduação pelo Ciência sem Fronteiras ou não, certamente chegará o momento de enviar seus documentos para os órgãos competentes. No caso de quem vai para os EUA pelo CsF, por exemplo, este órgão é a LASPAU. Caso você vá para a Austrália, o Latino Australia Education; no caso da Holanda, o órgão parceiro é o NUFFIC, e assim por diante. Cada processo tem suas regras e prazos específicos, mas via de regra todos nós teremos que enviar nossos documentos – seja para os órgãos, seja para as universidades (no caso de uma candidatura independente).

Dentre os documentos obrigatórios solicitados para envio normalmente estão o diploma de graduação e mestrado, o histórico escolar de todas a disciplinas cursadas em cada graduação e suas respectivas traduções juramentadas. E por favor, não me vá enviar seus diplomas e históricos originais. São solicitadas cópias certificadas desses documentos. Então, vamos por partes.

Diploma

Caso você ainda não tenha concluído a graduação ou o mestrado, você pode solicitar na universidade, provavelmente na coordenação do curso, um termo que declara que você está cursando as disciplinas e irá concluir o curso no período X, sendo que este período, obviamente, deve ser prévio ao início do mestrado/doutorado. Se já estiver formado e possuir os diplomas originais, daí você deve utilizá-los. Fique atento ao número de cópias exigidas para cada documento. Se, por exemplo, o órgão parceiro ou a universidade solicita duas cópias de cada documento, cuide para que você envie ambas as cópias certificadas¹.

De novo: nada de enviar os seus diplomas originais, jovem. E se já tiver feito isso não conte a ninguém, a não ser que queira virar motivo de piada entre alguns coleguinhas menos solidários, que acompanharão seu desespero comendo pipoca (eu faria isso, não vou mentir).

Histórico escolares ou transcripts (é a mesma coisa, só para constar)

No caso da não conclusão do curso na época do envio, deve ser feito praticamente o mesmo procedimento dos diplomas. Você solicita o histórico incompleto e novamente faz as cópias e certifica uma por uma¹ (já vamos falar sobre isso). Se já concluiu o curso, deve ter o histórico em mãos (se não tiver, peça na universidade), então é só seguir as mesmas orientações.

Mas o que é esta certificação, afinal?

¹ É um processo bastante simples para quem tem fácil acesso à Universidade que emitiu o diploma. Por que isso? Porque basta se dirigir à secretaria ou coordenação da Universidade com os documentos (diploma e histórico – originais e cópias) em mãos e solicitar ao funcionário responsável que carimbe e assine atestando a “conferência com o original”. Normalmente isso pode ser feito em poucos minutos, dependendo da boa vontade dos envolvidos.

Poxa vida, minha Universidade fica em outro estado. Posso enviar uma cópia autenticada em cartório desses documentos?
Poxa vida, minha Universidade fica em outro estado. Posso enviar uma cópia autenticada em cartório desses documentos?

Bem… não. Infelizmente, não pode. A autenticação no cartório não vale para universidades. Parece estranho, mas uma assinatura de um funcionário da universidade atestando que a cópia confere com o original conta mais que autenticação em cartório. Na verdade, só ela é válida (sabe-se lá por que razão, mas não estamos aqui para contestar o sistema). Então, se você mora em uma cidade ou estado diferente de onde se formou, temos uma má notícia: você terá que viajar para certificar suas cópias. Ou pedir a alguém, ligar, chorar, dar um jeito: o fato é que a Universidade tem que carimbar o diabo das cópias, e ela tem que fazer isto olhando para os documentos originais.

Traduções juramentadas

Uma tradução juramentada é uma tradução pública, feita pelo chamado tradutor juramentado. Ele é um intérprete comercial habilitado em um ou mais idiomas estrangeiros e português, nomeado e matriculado na junta comercial do seu estado². Somente a tradução juramentada é reconhecida oficialmente pelas universidades nos EUA – e provavelmente nos outros países também, cheque direito os documentos necessários junto às universidades e/ou órgãos parceiros que estão intermediando sua candidatura.

² A junta comercial do seu estado vai lhe fornecer os nomes, endereços e telefones dos tradutores juramentados disponíveis. Dê um Google em “junta comercial nome-do-estado” e procure a aba/link “tradutores”. O preço é tabelado.

A tradução juramentada é necessária e já adianto que vai doer no bolsoAlém de ser onerosa, em alguns casos de órgãos parceiros como a LASPAU, a tradução original deve ser enviada por correio. Logo, se você estiver se candidatando de modo independente para outros países e outras universidades, terá que enviar mais de um documento original de tradução, o que significa gastar o dobro, o triplo, o quádruplo… etc, dependendo de para quantos lugares terá que enviar. Você já deve ter percebido que a vantagem de um órgão parceiro intermediar sua candidatura é que, dependendo das regras do jogo, você só precisa enviar uma tradução original e eles se encarregarão de realizar as cópias certificadas por eles próprios e distribuir entre as X universidades para as quais você está se candidatando.

“Ah, mas eu não posso pedir pra um amigo traduzir e levar na universidade pra eles conferirem e certificarem?”

Não.

“Posso pedir para o tradutor da Universidade traduzir e certificar?”

Não.

Ah, dane-se! Eu mesmo vou traduzir e vou dar um jeito de certificarem! Posso fazer isso, não posso?
Ah, dane-se! Eu mesmo vou traduzir e vou dar um jeito de certificarem! Posso fazer isso, não posso?

Não, você não pode. Nem você, nem seu amigo, nem seu professor de inglês, nem o tradutor da sua Universidade, nem mesmo o papa pode. A não ser que a própria universidade emita o documento oficial já em inglês, nenhuma certificação é válida.

NO ENTANTO, SABE QUEM PODE? A EDUCATION USA!

Gente, ó, dica de mestre, viu. O EducationUSA faz o serviço de traduções por e-mail! Isso é especialmente útil para aqueles que moram em cidades onde não tem tradutores juramentados disponíveis (sim, corre este risco). Se você mora em Jericoatinga do Caboaté, por exemplo, não terá que ir até a capital do seu estado (que neste caso, é fictício, hahaha) numa verdadeira saga em busca do tradutor perdido. Cliquem neste link e vejam como funciona!

Outros documentos e certificados

Se você possuir alguma outra especialização que irá contribuir no seu processo seletivo, os documentos referentes a esse curso também poderão ser enviados seguindo as mesmas instruções quanto às cópias, certificações e traduções juramentadas. Vale ressaltar que só será válido curso ou especialização que tiver lhe conferido um diploma, de preferência com notas. Mini-cursos, escolas, workshops, etc, que geralmente fornecem um certificado de participação, não são relevantes neste caso. No entanto, eles podem constar no seu currículo.

Opções de envio dos documentos

Finalmente, para o envio, você terá algumas opções, que irão variar no preço e na disponibilidade do serviço prestado na sua região. Gente, vejam bem, percebam que estamos falando do envio dos documentos físicos. Esqueçam envio digital neste caso (claro que você vai mandar por meio digital ou físico aquilo que lhe for instruído; neste tópico, porém, vamos tratar do envio físico, que é o que gera dúvidas).

É sugerido pela LASPAU, por exemplo, que o envio seja realizado por FedEx, UPS ou EMS, por se tratar de companhias confiáveis e disponibilizar o rastreamento da mercadoria. A FedEx tem até um sistema de agendamento, onde eles passam na sua casa para retirada da mercadoria, caso não haja um posto em sua cidade. Sedex Mundi e DHL, entretanto, também podem ser utilizados para o envio com resultados confiáveis, a escolha é sua.

Só faça este envio com antecedência para garantir que a documentação vai chegar em tempo hábil nos EUA. Uma dica para economizar é juntar dois ou mais candidatos, marcarem uma data quando todos estiverem com a documentação completa em mãos e colocarem seus envelopes juntos na caixa de envio. Fica mais em conta e vocês podem ainda marcar um happy hour depois!

… e o que é o coversheet form?

Ahh, o famoso coversheet form é na verdade uma piada interna dos candidatos ao doutorado para os EUA pelo Ciência sem Fronteiras / LASPAU. O que aconteceu foi que a LASPAU inventou de colocar entre os documentos solicitados um tal de “coversheet form”. Pronto, instaurou-se o pânico generalizado. Que diabos era isso?? Por meses, esta pergunta aparecia nas redes sociais, até muito tempo depois de já ter sido respondida pelo menos 397 vezes. Bom, coversheet form nada mais é que um check list que você anexa como capa de toda documentação que é enviada pelo correio para o escritório da LASPAU. Esse check list é fornecido pela própria instituição e você o imprime e marca ali os documentos que estão no envelope. Ou seja: era APENAS uma folha de papel com uma lista de documentos e quadradinhos para pintar de acordo com o que você estivesse enviando. Com certeza, todo processo tem coversheet form da vida, que vai virar piada passado o desespero…