Turismo sem Fronteiras? A verdade sobre os bolsistas de doutorado

Olá, Abroaders! Primeiro, preciso agradecer em nome de toda a equipe do site pelos 1.4k compartilhamentos do nosso último post! Graças a vocês, conseguimos expor a situação complicada que nós, estudantes de doutorado, estamos enfrentando.

Como consequência, a mídia brasileira publicou alguns artigos sobre isso. Um exemplo de um artigo bem informado é este aqui, apesar da manchete um tanto sensacionalista. Infelizmente, alguns jornalistas não conferem seus dados com responsabilidade.  A gente leu este artigo da Folha de São Paulo, por exemplo. Depois, quebramos o Décimo Primeiro Mandamento (“Não Lerás os Comentários Alheios”) e nos deparamos com as seguintes pérolas:

“Espero que os doutorandos do Turismo sem Fronteiras sejam melhorzinhos que os graduandos”, “É uma gastança sem fim”, “Quem quiser fazer estudos fora do país que faça com seu dinheiro e não com nossos impostos”, “Quer fazer férias de graça entre no Ciência sem Fronteiras”… e o resto virou disputa partidária (melhorem, pessoas).

Se você conhece alguém que pensa assim, com certeza esta pessoa não sabe o que é um doutorado. Mas nós ajudamos a desenhar: já escrevemos o próximo post que explica direitinho (em breve, e com o selo Abroaders de qualidade).

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Nos representa!

Mas o que leva as pessoas a ter uma opinião tão crítica sobre o programa?

Primeiro, claro, a fama que infelizmente muitos estudantes de graduação sanduíche ajudam a alimentar e que rendeu o apelido de “Turismo sem Fronteiras”.  Por isso, uma das principais críticas ao Ciência sem Fronteiras é que o programa deveria ser focado na pós-graduação (73% das bolsas foram destinadas à graduação sanduíche, enquanto apenas 3% delas foram destinadas aos programas de doutorado).

Apesar da fama da graduação sanduíche, muitos estudantes souberam aproveitar a oportunidade para alcançar reconhecimento nacional e internacional.

Exemplos? Este site que os estudantes organizaram para ajudar outros estudantes e contar suas histórias, ou esta reportagem sobre como duas estudantes de graduação sanduíche na Arizona State University ganharam menção honrosa e foram finalistas de um prêmio promovido por ninguém menos que a ONU e o GOOGLE. E aqui ou aqui estão exemplos de como ex-bolsistas de graduação do Ciência sem Fronteiras trouxeram benefícios ao país – tem mais no site da CAPES.

Segundo, a própria reportagem da Folha traz algumas (des)informações que manipulam a opinião pública. Por exemplo:

1) Dizer que o investimento mensal para se manter um doutorando nos EUA é de R$6000. O Fulano que sugeriu que usássemos nosso próprio dinheiro não sabe que este é o valor pago pela Capes apenas como um “salário” para que paguemos aluguel e outras despesas. Ainda há uma quantia muito maior sendo paga como matrícula semestral e taxas para as Universidades. As Universidades nos EUA não apenas não são gratuitas, como são caríssimas! Ah, a propósito, manter um doutorando aqui não é gasto, é investimento. Se duvida, dê uma lida no Manual do Bolsista  e veja toda a contrapartida que o Governo espera de nós. 

2) Dizer que a intenção do Programa é enviar estudantes para as melhores universidades do mundo, mas apenas 4% estão entre as 25 melhores universidades segundo este ranking.

MINHA GENTE, em primeiro lugar, estes 4% incluem os alunos de graduação sanduíche. Além disso, vamos combinar que mais de 100 mil brasileiros não cabem em 25 universidades, ok? E já que estamos falando de doutorado, como sempre, aqui vão dados fresquinhos providenciados pela Laspau(órgão afiliado à Harvard que faz parceria com a Capes para manter os doutorados nos Estados Unidos).

A primeira coisa que você tem que saber é que o tal ranking tem suas limitações. Existem universidades TOP em uma determinada área que não estão entre as melhores no ranking geral. Por exemplo, o Worcester Polytechnic Institute (WPI) é top em Engenharia, mas não está no ranking.

Se isso não te convenceu, saiba que, entre os estudantes de doutorado pleno nos EUA (Laspau/Capes/CNPQ):

  • 86% estão em universidades com ranking melhor que a UNB
  • 78% estão em universidades com ranking melhor que a UNICAMP
  • 62% estão em universidades com ranking melhor que a USP
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Dados fresquinhos fornecidos pela Laspau sobre os estudantes de doutorado pleno nos EUA.

 

Enfim, o programa é perfeito? Longe disso. Precisa de mais “ênfase” na pós-graduação? Sem dúvidas. Dentre outras melhoras que precisam ser feitas (estamos estudando fazer um post sobre isso), especialmente no que se refere ao excesso de burocracia, má comunicação do governo brasileiro com os estudantes, e normas abusivas no novo manual. Mas o programa em si não é “turismo”, nem “gastança”. É um investimento necessário a médio e longo prazo, feito por um país com o ambiente acadêmico e de pesquisa sucateados, que não oferece o devido apoio aos seus cientistas, e que precisa investir em educação superior para trazer benefícios futuros. 

Podemos parecer suspeitos para falar, mas acredito que os dados trazidos nesta postagem mostram que a solução não é acabar com o Ciência sem Fronteiras, e sim aprimorá-lo para otimizar os benefícios ao país – e o retorno do investimento feito com os seus impostos.

Não posso terminar este post sem agradecer à Laspau, que tem estado ao lado dos bolsistas nesta luta. Eles entendem como de fato funcionam os programas de doutorado nos Estados Unidos, conhecimento que falta à Capes e a muitos consultores que avaliam nossos pedidos de renovação anuais. Mais que tudo, a Laspau – uma organização estrangeira – tem nos oferecido o suporte, atenção e empatia que nosso próprio país tem falhado em providenciar.

É isso, pessoal.

Compartilhe este post com seus amigos e família, e principalmente com todas as pessoas que pensam que você está fazendo ou quer fazer turismo utilizando o dinheiro público. Obrigada!

NOTA: Se você é uma das pessoas que consideram o doutorado no exterior uma gastança, turismo, ou falta do que fazer, vai fazer um e depois a gente conversa.

 

 

Doutorado no exterior: gerenciando o seu tempo

Hello, Abroader! Quanto tempo, hein? Pois é, a vida por aqui não está fácil, e é exatamente sobre isto o post de hoje!

Vou logo avisando que este é especial para os Abroaders que já estão no exterior, tentando sobreviver e fazer um doutorado ao mesmo tempo (serve para mestrado também, guardadas as devidas proporções, ok?). Será um post bem longo, vou avisando, mas pode valer a pena.

Então, como foi o seu dia hoje? Melhor, como tem sido sua rotina? Está dando conta de tudo ou acha que seu dia precisaria de pelo menos 72h? Vamos fazer uma pesquisa rápida e ver o que você responderia, sinceramente:

(  ) estou dando conta de tudo! As leituras e tarefas estão em dia, participo de todas as reuniões do grupo de pesquisa, cuido da burocracia, minha casa só vive impecável, estou malhando e cuidando da saúde e ainda sobra tempo para cozinhar e ler algo que eu goste todos os dias – e tenho uma vida social saudável;

(  )  meus estudos estão em dia, mas para isso abri mão da academia e o microondas virou meu melhor amigo! Saio quando dá, e quando sobra tempo no fim de semana passo um aspirador na casa;

(  ) cuido da casa e faço minha comida, mas meus estudos estão sempre atrasados em pelo menos uma matéria, e nem sei mais o que é malhar, muito menos vida social;

(  ) estudos em dia e academia também, e saio todos os fins de semana para tomar umas cervejas, mas minha casa está uma zona e estou vivendo de miojo;

(  ) já pedi meu Viratempo pelo Amazon e estou só esperando ele chegar…

Se você considera humanamente impossível marcar a primeira opção com sinceridade, desafio você a mudar alguns hábitos e repetir a pesquisa daqui a algumas semanas. Sim, estou dizendo que é possível dar conta de tudo. E sim, eu marcaria a primeira opção. Se eu consigo, vocês também conseguem!

Hoje, por exemplo, vou contar como foi meu dia: acordei, enrolei um pouco na cama (lógico), levantei, limpei o quarto, lavei roupa, estudei, fiz meu almoço (fiz, não esquentei), comi, lavei os pratos, tomei banho, saí de casa, estudei mais no escritório, fui à reunião semanal do grupo de pesquisa, estudei mais um pouco e fui para a aula de ritmos latinos, depois fui tomar um sorvete com uma amiga, voltei para casa, tomei banho, tomei café, estou aqui escrevendo este post para vocês e depois vou dormir. E se você acha que seu programa só pode estar muito mais puxado que o meu: eu tinha 562 páginas para ler, um teste online para fazer e um homework até sexta, outro homework para amanhã, estudar para um quizz também amanhã, mais 237 páginas para ler para segunda, além de pesquisar uma solução para aproveitamento de água da chuva no deserto “pra ontem” e pensar em alguma coisa para começar a minha pesquisa e apresentar daqui a três semanas. Claro, isto tudo (com exceção das últimas duas coisas) são para esta semana, e próxima semana tem mais. E amanhã ainda farei uma entrevista de emprego no campus, sugerida pelo meu orientador, e se eu passar tô lascada terei que arranjar 5-7h por semana para dedicar a isto.

Ou seja, não está fácil, não é fácil, mas estou dando conta de tudo mesmo assim… e por quê? Sou especial? Não. Também tenho muitas inseguranças, dúvidas, momentos de ansiedade, saudades, tristeza, tudo isso que vocês têm.

 

Mas é que meu viratempo já chegou!
Mas é que meu viratempo já chegou!

 

Mentira; na verdade, é que eu sempre tive muita facilidade de planejar e gerenciar o meu tempo. Por isso, resolvi escrever algumas dicas que podem ser úteis. São meio óbvias, mas às vezes esquecemos o óbvio, não é mesmo?

Vale ressaltar que eu vou dar dicas empíricas que funcionam para mim. Não pesquisei nenhuma metodologia de gerenciamento de tempo (uma vez, andei dando uma olhada no método GTD – Getting Things Done – , sobre o qual você pode encontrar algumas publicações neste blog, mas confesso que não levei adiante). Algumas dicas muito interessantes de sobrevivência durante os grad studies você pode encontrar também neste livro. Mas, novamente, as dicas que darei são minhas e mesmo que eu as use como verdade ou fale no imperativo, elas podem funcionar ou não para você. A ideia é ver com o que você se identifica e colocar em prática.

Vou dividir as dicas em:

  1. Dicas gerais

  2. Cuidando da casa

  3. A hora do almoço

  4. Organizando os estudos

  5. Atividades físicas em dia

  6. Seu momento de higiene mental

  7. Vida social

 

Pronto? Vamos ao que interessa.

  1. Dicas gerais 

 calendarioTo-do lists, calendários e agendas são itens indispensáveis. Acostume-se a usá-los. Mas cuidado para não exagerar ou você vai acabar se confundindo.

Não anote tudo o que você tem que fazer em vários locais separados: arranje um espaço para isto e carregue sempre consigo (pode ser um bloco/caderno). Use este instrumento para anotar apenas as tarefas que tem que completar. Depois, separe um tempo para organizar estas tarefas, distribuí-las em dias e planejar a semana que está por vir. Só precisa fazer isto uma ou duas vezes por semana, e ir ajustando sempre caso as coisas não saiam conforme o esperado.

Use um calendário mensal. No computador é bom, mas melhor mesmo são aqueles tipo quadro que você coloca na parede. Eu comprei um assim, nos EUA é bastante comum encontrar nas lojas de artigos para casa e escritório. O meu já veio com as divisões dos dias da semana e um espaço lateral para uma to-do list. É bom porque as informações ficam bem visíveis – coloque num lugar que você sempre veja, como próximo do seu computador ou no seu home-office, se tiver um.

Aprenda a usar sua agenda. Depois de separar as tarefas na sua semana e organizar datas importantes no mês, anote em cada dia da agenda o que você tem que fazer. Novamente, você pode fazer isso uma vez na semana e ajustar quando necessário. Você não vai perder tempo fazendo isso; pelo contrário, vai economizar um tempo enorme.

 

  1. Cuidando da casa 

Procure não acumular Limpezatodas as suas tarefas domésticas em um só dia (normalmente, o povo adora separar um dia no fim de semana a cada quinzena para fazer A faxina, né). Você vai se desgastar, e acontece que fins de semana são muito bons para estudar e relaxar um pouco. Ao invés disso, experimente fazer um pouco todos os dias. Eu juro que não vai tomar mais do que uma hora sua, de segunda a quinta (deixando sexta como coringa e livrando os fins de semana)! E olhe que moro sozinha, tenho a casa toda para limpar sem ajuda! Vou dar o exemplo de como eu faço, e você poderá ver também na figura que vou postar mais abaixo com o meu calendário semanal.

 

 

Segunda-feira:  passo o aspirador na casa toda;

Terça-feira: lavo o banheiro OU limpo a sala (alternadamente entre as semanas: cada um de 15 em 15 dias)

Quarta-feira: limpo o quarto OU lavo a cozinha e lavo roupas (eu lavo roupas toda semana, mas tem quem prefira fazer quinzenalmente)

Quinta-feira: faço mercado (ainda estou testando qual a melhor frequência para mim, mas separei a quinta para isso de qualquer forma)

Sexta-feira: coringa, ou seja, um dia de folga para algo que por alguma razão não pôde ser feito durante a semana.

 

Você deve montar o seu cronograma de acordo com sua conveniência (veja o que lhe toma mais tempo e o que lhe toma menos tempo, quais os dias que você tem mais/menos compromissos fixos e vá encaixando). O importante é não sobrecarregar um dia só, pois a tendência é que você acabe acumulando tudo neste dia, e enquanto ele não chega, viva num ambiente que lhe é pouco aprazível, bagunçado e pouco limpo. Outra coisa: se sujou, limpe. Se usar, guarde. Não acumule. Esta é uma maneira de deixar a casa sempre arrumada, e isso é especialmente importante se você estuda em casa. Mesmo se não estuda, veja bem, você está longe de sua família, de sua casa no Brasil, etc, é muito importante se sentir em casa, se sentir acolhido em um lugar prazeroso, limpo e organizado. E isso também lhe dará uma sensação de eficiência e autoconfiança: é muito bom admirar o que você é capaz de fazer!

 

  1. A hora do almoço 

Se você almoça em ccookingasa, ou se faz sua comida para levar para o trabalho, é importante incorporar o momento de cozinhar na sua rotina. Viver de microondas tem limites! Vai chegar uma hora em que você estará sacrificando sua saúde por causa de uma praticidade que pode custar caro.

Eu tenho feito minha comida todos os dias. Além de ser mais econômico, é mais saudável e muito mais prazeroso. Se você não suporta cozinhar, tudo bem, vai ter que procurar outra saída. Mas para aqueles que gostam, ou mesmo os que gostariam de aprender, vou dar uma dica: eu não sabia cozinhar também, e estou aprendendo graças a um blog muito bom chamado Segredos de Tia Emília, que tem vídeos acompanhando cada receita, e uma seleção de maravilhosa de pratos do mais básico ao mais sofisticado. Fato é que não me custa mais de uma hora e meia por dia entre cozinhar, comer e lavar os pratos, e já incorporei isso ao meu calendário e à minha rotina.

Dica de ouro (ou rule of thumb, como falam aqui): planeje o que você vai comer durante umas duas semanas. Eu fiz um cardápio para duas semanas baseado nas minhas compras de mercado e no tempo de preparo de cada refeição (as mais demoradas, deixei para o fim de semana, por exemplo). Tem gente que prefere cozinhar tudo no domingo e esquentar durante a semana, mas eu testei e preferi como estou fazendo agora. A comida fica mais saborosa e cozinhar se torna mais prazeroso – para MIM – quando eu não acumulo tudo num dia só. Às vezes fico ansiosa pelo momento de preparar meu almoço! Hehehe. Seja como for, planejar o cardápio é importante para não perder tempo nem no mercado nem antes de cozinhar. Já deu pra ver que planejamento é a chave de tudo, né?

 

  1. Organizando os estudos 

Antes de qualquer cstudyingoisa, certifique-se de que você tem um canto organizado para estudar. Se mora sozinho ou seus roommates são tranquilos, pode ser uma boa ideia ter um home-office (eu tenho). Se trabalha muito tempo em laboratório, talvez não precise. Se sua casa for um local onde é difícil se concentrar por qualquer razão externa, use o seu escritório da faculdade ou alguma biblioteca onde se sinta confortável, mas acima de tudo, tenha um bom lugar para estudar!

Eis como faço:

Primeiro, eu vejo quanto tempo tenho disponível para estudar, por dia da semana. Ex.: 6h na segunda, 8h na terça, 5h na quarta etc.

Depois, eu localizo os deadlines de cada tarefa: seja uma leitura, um homework, o que for. Organizo por prioridade de acordo com os prazos de entrega e depois vejo quanto tempo vou gastar fazendo cada tarefa. Isto é muito importante. Por exemplo: se vou ler 200 páginas para dia X, vejo qual o tempo médio que gasto lendo uma página (se você é como eu e faz resumo, leve isso em consideração) e multiplico pelas 200. Dou uma margem de segurança e distribuo isso nos meus horários semanais. Digamos que eu gaste 4 minutos por página, então precisarei de 800 minutos, o que dá um total de aproximadamente 13h. Eu sei que tem muitas páginas de gráficos e tabelas e que o tempo que gastarei é menor, mas não os desconto, e também não desconto índice, capa, referências etc, o que já posso considerar minha margem de segurança. Ainda assim, aproximo para 14 ou 15h e divido este tempo no tempo de estudo que tenho por dia. Parece muito, mas se você dividir seus dias em horas, verá que na verdade tem muito tempo para estudar por dia. Este é o nosso trabalho aqui, afinal!

Duas dicas: uma contra o Facebook e Whatsapp e uma contra a procrastinação. Primeira coisa, deixe o celular longe de onde você está estudando. Se não conseguir (eu não consigo), coloque no silencioso e olhe apenas de vez em quando, em pequenas pausas de quarenta em quarenta minutos, por exemplo. Contra o Facebook, resolvi meu problema recentemente.  Claro que se você for menos viciado ou mais disciplinado que eu, pode apenas desligar a wi-fi se sua tarefa permitir ou simplesmente fechar a janela para não cair em tentação. Como eu sempre abro a maldita aba novamente, tive que tomar outra providência: comprei um Kindle. Eu coloco meus pdfs no Kindle, sento numa poltrona (minha melhor compra ever) longe do computador só com o Kindle e um caderno na mão. Não cansa minha vista, não tem Facebook e minha produtividade aumentou 100%.

Contra a procrastinação: é útil você, ao final do dia, separar 5 minutos para listar como aproveitou as horas do seu dia. Anote o que fez em cada hora e veja seu progresso. Esta dica eu tirei daquele livro que linkei lá em cima. Eu não faço isso porque não sou procrastinadora, apesar de ser facilmente distraída por influências externas, mas se você tem esta tendência, seja sincero consigo mesmo e faça isso. É melhor que se culpar, se desesperar, etc, ou seja, fazer o que não resultará em nada. Você pode buscar ferramentas para melhorar isto, então melhore.

 

  1. Atividades físicas em dia

Todo mundo conhece aworkoutquele velho clichê “corpo são, mente sã”. Manter o corpo saudável é essencial para a sobrevivência por aqui, especialmente em condições adversas. Ajuda você a manter a rotina, aumenta a concentração, diminui os níveis de estresse, equilibra os hormônios (especialmente para nós, mulheres), principalmente se você estiver meio que num regime celibatário forçado (tamo junto), dentre muitos outros benefícios. Inclusive, tem um livro muito bom sobre isso.

Por todas estas razões, eu trato atividade física como saúde e prioridade. Pode ser complicado continuar sendo rato de academia aqui, e provavelmente você não vai poder gastar o mesmo tempo que gastava no Brasil se gostava muito de malhar, ainda mais se você for homem e gostar de cultivar os músculos, hehe. Mas para quem encara a malhação como saúde, menos horas de dedicação diárias são necessárias e acho que dá para encaixar na rotina perfeitamente.

O que eu fiz: aqui a academia da universidade é top de linha e “de graça”, mas não tem instrutores. Bem, por opção pessoal, resolvi me matricular nas aulas que eles oferecem. Escolhi cerca de uma aula por dia para fazer e distribuí na minha agenda semanal (veja na figura no final do post), normalmente de manhã cedo, o que também é uma estratégia para me ajudar a acordar e para regular minha rotina. Acordar e almoçar sempre na mesma hora é bom para acostumar o corpo e criar hábitos que nos ajudam a manter o tempo e tarefas sob controle. Se você gosta de correr, corra. Eu não faço isso (ainda) porque aqui no Arizona é um inferno de quente esta época do ano, e se eu correr 5 minutos, terei que voltar para casa de ambulância. Enfim, faça algo de que gosta e separe um tempo na sua rotina como prioridade. Pode não ser todos os dias, veja o que melhor combina com seus objetivos e possibilidades, mas não deixe de fazer alguma coisa!

 

  1. Seu momento de higiene mental

Se eu disser que tenho este momengame of thronesto todos os dias, estarei mentindo. Mas eu estou tentando e quero chegar lá. Por enquanto, tenho conseguido mantê-lo na maioria dos meus dias. O que é isso? Um momento só seu, que pode ser de uma hora, mais ou menos (funciona pra mim) em que você faça algo que você goste que não esteja relacionado necessariamente com seu trabalho/pesquisa aí. Isso ajuda muito a você limpar a mente, renovar as energias e dormir melhor. Pode ser assistir a uma série de que você goste, falar com um amigo no Skype (não vou falar de whatsapp porque, sejamos sinceros, nós acabamos usando esta droga o dia inteiro, haha) ou simplesmente ficar zapeando canais em frente à TV. Eu não tenho TV e nem me faz falta, diga-se de passagem, mas eu costumo dedicar os minutos finais do meu dia a dançar alguma música loucamente na minha sala ler um livro, tomando um café em minha poltrona (Jesus, tô velha). Isso me faz muito bem! Por sinal, estou lendo um livro simplesmente fantástico, para quem se interessar. Até Game of Thrones retornar em abril, claro. Aí terei que dar um jeito de comprar uma TV… hehehe.

Mas, enfim, isso me ajuda a dormir, e cuidar do seu sono é fundamental nesta história toda. Se você sai do computador onde estava lendo 300 papers e vai imediatamente deitar, é provável que fique ainda ligado ao seu trabalho e não consiga dormir tão cedo – ou pior, sonhe com os malditos papers!

 

  1. Vida social

partyTá, primeira coisa, acabou a farra. Isso você já sacou, né? Mas também não precisa se isolar ou se privar de vida social, que isso só trará más consequências a médio e longo prazo. Não vai dar pra liberar todos os finais de semana em tempo integral, garantir a cerveja-nossa-de-toda-sexta, perder muitas noites nos finais de semana e muito menos viajar pelos quatro cantos sempre que rolar um feriado. Mas você pode sim fazer tudo isso, ainda que em menor intensidade. Ainda que tenha que juntar dinheiro e programar um adiantamento nos estudos com antecedência para viajar num determinado feriado ou fim de semana do mês, ou que só saia com os amigos nas noites de sábado e nas tardes de domingo, mas não abra mão da sua vida social! Ela é tão importante quanto todo o resto, ainda que seu orientador às vezes lhe faça acreditar no contrário (felizmente, o meu é do babado e gosta de uma farra de vez em quando, haha). Em semanas especialmente estressantes, se permita um pequeno break de umas duas horas e vá tomar um sorvete e colocar o papo em dia, por exemplo (vixe, falei igual a revista para adolescentes, agora). Algumas pequenas pausas na rotina são tão essenciais quanto a própria rotina, ao meu ver! O importante é planejar, e guardar algumas cartas na manga – ou seja, algumas folgas no cronograma para permitir estas pequenas escapadas ou outros imprevistos.

 

Meu cronograma

Então, como eu disse, aí vai o cronograma semanal que estou seguindo aqui, e que tem dado certo! Claro que já fiz muitos ajustes e continuarei fazendo sempre que achar necessário. A ideia é continuar melhorando sempre!

meu cronograma
Usei vermelho para as aulas da academia, amarelo para as aulas da universidade, verde para o tempo livre de estudo, lilás para as tarefas de casa e o azul para a hora do almoço (tentei manter igual todos os dias). Não incluí os finais de semana porque prefiro deixá-los livres para preparar de acordo com a demanda de cada semana – e do que surgir em termos de lazer!

 

É isso, gente. Para quem teve paciência de chegar até aqui, espero ter ajudado em alguma coisa. E aí, deu uma luz no assunto? Me dê seu feedback para eu saber se ajudei ou no que posso melhorar!

No mais, boa sorte a todos, KEEP CALM, sem desespero, que você CONSEGUE dar conta de tudo. Não se cobre demais, seja tolerante consigo mesmo, é tudo um aprendizado contínuo.  Qualquer coisa, grita… e até a próxima!

 

 

Recebi o DS-2019, e agora? Como tirar o visto J-1 para os EUA

Olá, galera!

Este post de hoje vai para a turma que já se inscreveu para uma pós-graduação nos EUA, já passou, e em breve vai tirar o visto J1 para intercâmbio. Muitas informações também servirão para o visto F1, por exemplo; então, se o seu visto não é o J1, filtre as informações que são comuns ao procedimento para o seu tipo.

Então: você estava tendo crises incontroláveis de ansiedade e deixando os colegas malucos nos grupos do Facebook até que ele chegou. No único minuto do dia em que você esqueceu a existência do seu DS-2019, seu celular notifica o recebimento do tão esperado e-mail. Aí você vai lá, abre, olha, ahã, olha de novo, se belisca, até que pensa: OK, VAMOS AGENDAR LOGO ESTE VISTO. Desce a roletinha (eu sei que tem um nome, mas chamo de roletinha, licença) atrás de instruções, mas… nada.

Como assim? Não vou receber um passo a passo por e-mail???

Bem, provavelmente não, mas talvez este post consiga esclarecer algumas dúvidas do processo. VOU AVISANDO QUE SERÁ LONGO (até porque você vai precisar de umas boas horas para dar conta de toda a burocracia necessária – fica a dica).

PRIMEIRA FASE: PAGANDO A TAXA SEVIS

1. Entre neste site. Tenha em mãos seu formulário de visto (Form I-20 ou DS-2019 – vou me basear neste último), um cartão de crédito, e sangue frio para pagar pelo menos U$180 (dólares). 2. Procure e clique nesta opção:

sevis option fill 3. Selecione o tipo de formulário que você tem em mãos, dependendo de qual será o seu tipo de visto;sevis form op 4. Você vai encontrar a seguinte tela. Nela, escreva seus dados exatamente como aparecem no seu formulário (neste caso, vou falar do DS-2019, que foi a opção que marquei previamente). No SEVIS IDENTIFICATION NUMBER, insira o número que aparece no canto superior direito do seu DS-2019. Ele estará no formato N XXXXXXXXXX.

applicant validation info sevis

5. Em determinado momento, você vai ter que preencher um campo chamado EXCHANGE VISITOR CATEGORY. Atenção aqui! Por mais que você se sinta tentado em marcar a opção em que mais se encaixa, olhe no seu DS-2019 qual a opção que está escrita lá. No meu, estava escrito “Student Doctorate”. Então, marquei a opção “Student (college/university) $180”.

6. Ao final (não vou falar do processo INTEIRO com imagens porque não é necessário, vou pontuar as partes mais importantes e as que acho que podem gerar dúvidas),  após colocar os dados do seu cartão de crédito* , você vai ver a seguinte tela: CONFIRMATION PAYMENT SEVIS Clique em PRINT PAYMENT CONFIRMATION, imprima uma cópia física e salve uma em pdf. Você vai precisar da cópia física no dia da sua entrevista no Consulado. *o meu MasterCard não foi aceito e tive que usar o American Express, então por via das dúvidas tenham dois em mãos.   Pronto, seu SEVIS foi pago. Hora de partir para a segunda (e mais demorada) fase.

SEGUNDA FASE: PREENCHENDO O DS-160

1. Entre neste site. Separe ALGUMAS HORAS (sério). Tenha em mãos:

  • seus passaportes (novo e antigos);
  • suas datas de viagens anteriores aos EUA (se lembrar, senão pode estimar);
  • seu DS-2019;
  • seu comprovante de pagamento do SEVIS;
  • o endereço de onde você vai morar nos EUA (“ai, meu Deus, e se eu não tiver endereço ainda??” Não sei, jovem. Eu daria o endereço da universidade… mas faça o que achar mais conveniente);
  • o endereço da sua universidade (com CEP e telefone);
  • o seu currículo (você vai precisar preencher dados de seus empregos nos últimos 5 anos);
  • o nome/telefone/endereço/CEP/e-mail de um contato nos EUA* e;
  • o nome/telefone/endereço/CEP/e-mail de dois contatos no Brasil.

*Para os grantees da LASPAU: eu coloquei aqui o contato do meu Placement Specialist.

 

2. Antes de fazer qualquer coisa, dê uma lida nestes links à esquerda (marquei sutilmente com uma discreta seta). Depois, preencha a lacuna com a cidade onde agendará sua entrevista. Por fim, selecione Start an Application (nada óbvio).

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3. O formulário é longo e possui várias sessões. Você terá a opção SAVE  ao final de cada página e eu sugiro que a use (salve sempre, especialmente se sua internet não for das melhores, porque depois você poderá retornar ao site com o application ID que receberá logo no início e retomar de onde parou). Toda vez que salvar, verá a tela abaixo e poderá clicar em “continue application” para prosseguir.4 3. Você vai passar ileso pelas questões sobre seus dados pessoais, é claro. Então, na sessão de Travel Information, vai se deparar com uma que pergunta: Quem está pagando a sua viagem?? Aqui, a dica é: confira seu DS-2019. Olhe no item “Program Sponsor” e veja quem está lá declarado como patrocinador. No meu caso, por exemplo, é a LASPAU, então eu preenchi esta tela assim:

3

 

4. A sessão Work/Education/Training é um saco, digo logo. Eles pedem para você preencher com os seus empregos nos 5 últimos anos. Serão aquelas informações chatas como  período de trabalho, endereço, telefone, nome do chefe (pode rezar para eles não ligarem), suas funções etc. MAS ANTES eles perguntam sua ocupação atual. Bem, eu e 80% da galera que conheço na minha situação já largamos o trabalho e estamos desempregados (no meu caso em particular, tô num freela temporário que daria mais trabalho explicar que considerar que estou desempregada e pronto). AÍ, AMIGO, ELE PEDE PRA VOCÊ EXPLICAR. Sim, exatamente deste jeito: EXPLAIN.

Putz, Bro, isso é fucking humiliating, tá ligado? Tipo, explique porque você tá desempregado nessa p****!

Também acho, mas… fazer o quê. Explique sua zorra. Eu joguei o seguinte migué:

job

5. Agora vem a sessão de que mais gosto.  Security and Background ❤. Aqui, você basicamente terá que responder se é ou pretende ser terrorista, drogado* ou prostituído, e coisas do gênero. Ah, eles também querem saber se você é amigo, filho, primo de 23º grau ou vizinho de algum terrorista, drogado ou prostituído.

*Não, jovem, graças a Jah eles não te perguntam se você dá um tapa na pantera de vez em quando, ou PELO MENOS eu interpretei que não, rs.

Dêem uma olhada em um trecho de uma das 5 (cinco) partes desta belezura:

secutiry

É tentador, mas não responda Yes, tá bom? Eu mesma morri de curiosidade para saber se, ao responder Yes para esta última, por exemplo, iria aparecer um campo para eu colocar o meu nome de terrorista-ultra-secreta-que-estava-tentando-tirar-o-visto-para-os-EUA-pelos-meios-convencionais. Não testei pra saber. 🙁

6. Aí pronto, galera, mais alguns passos chatinhos e vocês chegarão na última sessão, a do SEVIS.

SEVIS INFO FINAL DO DS160

O SEVIS ID é o mesmo número que você encontrará no seu DS-2019, naquele canto superior direito. O Program Number está também no DS, neste mesmo formato que está na imagem acima. Agora, faltou a pergunta final!

Você pretende estudar nos EUA?

(suspense)

Ai, não sei. Será? ¬¬’ Não, cara, eu até passei num tal de doutorado aí numa universidade massa e tals, mas eu vou mesmo é ser surfista na Califa e viver de fotossíntese B) Vou embora da Babilônia, tá ligado?

(nada contra, mas existem meios menos penosos de se conseguir essa vida)

Ao final de tudo, você revisa o formulário, coloca a assinatura eletrônica, salva em pdf, imprime uma cópia, manda para o seu e-mail, enfim. Faz o escambau para ter tudo guardadinho. E passa para a próxima fase!

 

TERCEIRA FASE: FICANDO UM POUCO MAIS POBRE E AGENDANDO O SEU VISTO (FINALMENTE!)

1. Entre neste site. Aqui você vai pagar a última taxa (esperamos), chamada MRV, que pode ser de U$160 ou R$368, depende se você vai pagar no cartão de crédito ou boleto bancário, respectivamente. Clique em criar uma conta ali na aba superior e vá em frente. Não é nada complicado, você escolhe as opções referentes ao seu tipo de visto* e ao local onde vai tirar, coloca algumas informações e faz o pagamento. Quando o pagamento for concluído, você poderá agendar as datas para entrevista e coleta de dados biométricos/foto. Note que são duas datas, você agenda uma e depois a outra (tem que rezar pra ter duas datas próximas e não ter que reagendar uma delas depois).

*Caso o seu seja o J1, tem duas opções: J1/J2 e J1/J2 Ciência sem Fronteiras. Os bolsistas do CsF tendem a clicar na segunda opção, mas é muito provável que apareça uma mensagem dizendo não haver datas disponíveis para a entrevista. Um dos nossos leitores recebeu informações por e-mail do Consulado, e eles informaram que bolsistas do CsF podem agendar pelo J1 comum, já que o “J1 Ciência sem Fronteiras” só abre para grandes grupos. Eles dizem fazer a separação lá mesmo, no local. Então, não se preocupe!

Pronto para a última fase?

 

O CHEFÃO, só que não: O DIA DA ENTREVISTA

Veja a nota abaixo sobre O QUE LEVAR NO DIA DA SUA ENTREVISTA. Leve passaporte original e Ds-2019 também original, além de cópias de tudo. Também leve o comprovante de pagamento da taxa MRV e da SEVIS, e comprovante de agendamento dos seus horários com código de barras visível. what to take with youNote que “any additional documents” podem incluir:

extratos bancários, carta de aceite da universidade, carta da CAPES, passaportes velhos, documentos, e principalmente qualquer coisa que comprove que você tem vínculo com o Brasil e que seja um motivo para querer voltar para cá: certidão de nascimento/casamento, comprovante de endereço, contra-cheques, comprovantes de endereço de familiares que moram aqui (e se eles tiverem visto pros EUA, vale a pena levar uma cópia do passaporte deles também), carnês de IPTU/IPVA, título de eleitor… E como somos estudantes, vale levar comprovação de que você realmente sabe estudar: históricos e currículo acadêmico.”

Esta é a dica de Érik Amorim, que também está indo fazer doutorado nos EUA este ano, com visto I-20 e bolsa da Universidade. Segundo ele, as cópias podem ser todas simples e não precisa levar nada relativo a passagem e a seguro de saúde. Érik já tirou o seu visto em São Paulo e também compartilhou como foi esta experiência:

Não pode entrar no CASV e no consulado com NADA ELETRÔNICO – celular, mp3, foninho. E não tem lugar para guardar lá, a não ser que você queira pagar caro para deixar num armário porcaria de um estacionamento privado que tem lá perto. Então não levem essas coisas! Mas levem um relógio de pulso, lá dentro vc vai querer ver as horas, mas não tem nenhum relógio por perto e ninguém tem celular! Eu estava com uma mochila apenas. Precisei ser revistado, mas entrei com ela.

O CASV é só para colher digitais e tirar foto. Foi tranquilo, eu cheguei uma hora antes do agendado mas eles me atenderam mesmo assim. Não levou nem 20 minutos. Já no consulado, 3 horas de fila, e é bom chegar com antecedência. Lá dentro tem até lanchonete. Na verdade é fila para a fila para a fila. Fila para entrar, fila para passar na segurança, fila para entrar na fila das entrevistas, fila das entrevistas. Leve um livro, ou escreva um por lá.

Aqui em SP pelo menos, a entrevista acontece no mesmo salão onde estão todas as 500 pessoas na fila. Você fala com um funcionário atrás de um guichê de vidro, enquanto o cara que está atrás na fila escuta toda a conversa, e o burburinho atrapalha bastante a comunicação… Mas segue abaixo a minha “entrevista” completa:

– Bom dia, qual o propósito da viagem?
– Bom dia. Vou fazer o Doutorado nos EUA.
– Deixe-me ver seu I-20. Quem vai bancar o curso?
– A universidade.
– Are you looking forward to studying there? How’s your English?
– Yes, of course. I hope it is fine.
– I’m sure it is. Seu visto foi aprovado, parabéns!
– Ahn… obrigado?
– De nada. Próximo!

Ele nem quis olhar a tonelada de documentos que eu preparei com tanto carinho! Apenas usei: comprovante de agendamento no CASV, I-20 e comprovante SEVIS no consulado, passaporte nos dois. Mas… é bom levar o resto também, por via das dúvidas!

Daqui a 10 dias vai chegar pelo correio o passaporte com o visto. E é isso! Boa sorte a todos, e nos vemos nos isteites!

Para quem vai fazer em SP: O CASV Vila Mariana é mais ou menos acessível da estação Santa Cruz do metrô, uns 25 minutos de caminhada preguiçosa. O Consulado fica bem perto da Avenida Santo Amaro, que tem um corredor de ônibus indo até a Paulista.

That’s all, folks!! Boa sorte a todos! 

 

 

“O Prostituto de Universidades”: conheça a história de Marcelo Leitão e suas candidaturas a pós-graduação no exterior

Ele se inscreveu para dois mestrados, um doutorado e um mestrado profissional, em três países diferentes, em quatro universidades, de uma só vez. Ganhou o apelido peculiar de Prostituto de Universidades e quase foi acusado de vender a alma ao Diabo. Quer saber no que deu? Com vocês, Marcelo Leitão, o arquiteto cearense que gosta de viver fortes emoções!

Desde o começo da minha graduação eu já tinha uma certeza: “eu quero estudar fora!”… Mas como eu conseguiria isso? Essa era a grande pergunta! Um dia eu parei e percebi que conhecia várias pessoas bem mais capacitadas do que eu, com um currículo e desempenho exemplar, mas pela falta de um simples quesito, a proficiência em uma língua estrangeira, não tinham nem chances de ao menos de participar de um processo seletivo. Logo, desde o inicio da minha graduação eu busquei aprender o máximo possível, pois cada língua é um leque de oportunidades que se abre na sua vida!

Marcelo em Wisconsin, nos EUA, durante seu intercâmbio!
Marcelo em Wisconsin, nos EUA, durante seu intercâmbio!

Após finalizar a minha graduação e ainda com foco nesse objetivo, tomei uma decisão difícil e fui contra todos os “bons conselhos”: larguei tudo no Brasil e fui para o exterior em busca de proficiência em alguma língua. Um ano depois, Maio de 2013, retorno ao Brasil, mas com planos de aplicar apenas no ano seguinte (em 2014 para ir no ano de 2015). Senti que ainda não estava pronto, que precisava pesquisar mais sobre o assunto, ganhar experiência e outras coisas… Até receber a ligação de um professor da faculdade.

– “Marcelo, tudo bem? Faz dois meses que estou tentando falar com você e não consigo. Precisamos resolver a sua pós-graduação!” falou o meu professor.

Confesso que naquele momento eu me animei bastante!, Mas logo em seguida bateu o medo e o sentimento “não estou preparado”. Conversei mais um pouco com o meu professor e acabei seguindo o seu conselho:

– “Você já tem toda a documentação? Tente, pois na pior das hipóteses, você ganhará pelo menos a experiência.”

E assim eu o fiz. Quase nos 45 minutos do segundo tempo (Agosto/2013) eu resolvi tentar, e se era para tentar, que fosse para valer a pena. Apliquei para 4 bolsas de estudos e a partir daquele momento eu estava mais conhecido entre meus amigos como “prostituto de universidade”: a que pagasse, eu iria! As bolsas foram:

  • PhD nos Estados Unidos pelo Ciências sem Fronteiras Capes/Laspau
  • Mestrado em Arquitetura na Alemanha pelo DAAD
  • Mestrado na Inglaterra pelo Consulado Britânico (Bolsa Chevening)
  • Mestrado Profissional nos Estados Unidos pelo Ciências Sem Fronteiras Capes/IIE

Foi um processo longo e bem estressante. Administrar uma candidatura de bolsa de estudos é difícil, imagina quatro? Devo ter sofrido alguns pequenos infartos no processo, mas sobrevivi e agora é só felicidade! (ops, spoiler). Todos os processos foram simultâneos, mas para facilitar, o processo, contarei em tópicos individuais:

 

1. PhD nos Estados Unidos pelo Ciências sem Fronteiras Capes/Laspau

Esta bolsa era (o que eu achava ser) o meu sonho. Foi o processo mais longo, caro e estressante, mas certamente o que me deu experiência para obter sucesso nos outros. As principais dificuldades no inicio foram a falta de informação e o tempo curto para finalizar tudo. Eu tinha menos de 1 mês para juntar toda a papelada, traduzir documentos, escrever plano de estudos e descobrir o que era o GRE, mas graças a ajuda de alguns santos (dentre eles estão alguns dos integrantes da equipe Abroaders) eu consegui enviar tudo a tempo.

Algo que me desmotivou bastante no início do processo foi a pequena quantidade de universidades que eu poderia me candidatar. Essa restrição se deu basicamente por três motivos: o meu tema é bem específico e poucas universidades oferecem pós-graduação nessa área, Building Science, focando em Sustentabilidade e Eficiência Energética em Arquitetura; eu não possuo título de mestre e boa parte dessas universidades pedia mestrado para ingressar no doutorado; e a minha pontuação do TOEFL era de 92 pontos (22/24/22/24), e boa parte das universidades que ofertam pós na minha área pediam 100 pontos. Quando me deparei com todas essas questões, percebi que o sonho não seria tão fácil quanto eu imaginava, mas essa não era hora para desistir e eu precisava fechar meu submission plan.Nadar para morrer na praia não é o meu lema!

No final das contas, o meu submission plan acabou ficando com apenas três universidades. Eu queria ter aplicado para Berkeley e Virginia Tech, apenas! Mas como eu havia entendido que precisava tentar pelo menos três, acabei adicionando Texas A&M, mesmo não sendo bem na minha área.

Um dia, estou no trabalho e recebo um e-mail muito gentil de Berkeley avisando que, infelizmente, eles não poderiam me oferecer uma vaga, que eu não ficasse triste, que o problema não era eu, mas o alto nível da concorrência. Eu, por desencargo de consciência, entrei no site do GradCafe e fui conferir o nível da pessoa que tinha sido aceita. Ela apresentava pelo menos (estratosféricos) 90% em cada quesito do GRE… acho que realmente ela merecia! hahaha

Algumas semanas depois eu recebi a carta de concessão da bolsa! Foi um alívio muito grande, pois pelo curtíssimo tempo que tive para montar o plano de estudos, não achei que seria concedida. Isso me fez acreditar que talvez o sonho ainda fosse possível. Ainda naquela semana, recebi o “não” de Virginia Tech, algo já esperado, pois eles aceitam de 1 a 2 estudantes de PhD na minha área por ano.

E para finalizar, fui aceito na Texas A&M! Mas, em meio a toda essa supressa, só me restavam dúvidas: Estou preparado para um Doutorado direto da graduação? Texas A&M não tem foco na minha área, vale a pena? Onde eu fui arrumar esse sonho?

No final das contas, acabei negando a oferta e abri mão da bolsa de Doutorado direto. O PhD é uma coisa muito séria, que exige muita dedicação e não valeria a pena fazer “de qualquer jeito”. Foi uma decisão bem difícil, pois até aquele momento eu não tinha nenhuma garantia de outra bolsa ou aceite de universidade, mas era o mais certo a ser feito.

A grande lição de tudo isso foi que sim, é possível conseguir a tal “lenda do doutorado sem mestrado”, mas nem sempre isso será o melhor para você! E como conselho, mesmo sem ter certeza do que você quer, tente e depois que você tiver o aceite você decide.

 

2. Mestrado em Arquitetura na Alemanha pelo DAAD

Quando eu me candidatei a essa bolsa eu estava me achando, crente que ia conseguir! Tinha tudo para dar certo, pois ela era exclusiva para arquitetura, e muitas pessoas por acreditarem que precisa falar alemão, deixam de tentar, reduzindo ainda mais a concorrência. O processo foi bem simples e de fase única. Mandei um pacote de 3kg de papel pro DAAD no Rio de Janeiro, que seria reencaminhado para Colônia, na Alemanha.. depois disso era só sentar e esperar. Até que um dia recebi uma ligação da minha mãe:

– “Filho, chegou aqui uma carta de um tal de DAAD para você..”

– “Mãe, isso é a resposta da minha bolsa! O pior é que não adianta nem eu pedir para abrir, pois a senhora não entenderá nada…”

Momentos de tensão até eu chegar em casa e ler um educado “Nein, nein, nein!”

Moral da história: Sabe de nada, inocente!

PS.: Foram 341 candidatos do mundo todo e 37 selecionados.

Marcelo, na Alemanha. "Existem muitos muros a desconstruir", diz a frase no muro (segundo ele, é claro, eu não falo alemão! rs)
Marcelo, na Alemanha. “Existem muitos muros a desconstruir”, diz a frase no muro (segundo ele, é claro, eu não falo alemão! rs)


3. Mestrado na Inglaterra pelo Consulado Britânico (Bolsa Chevening)

Eu fiquei sabendo dessa bolsa de estudos bem em cima do deadline, algo como um pouco mais de uma semana antes, mas como o processo é todo on-line, bem simples e eu já tinha toda a documentação, por que não tentar? Estudar na Bartlet School – University College of London era um sonho e eu jamais pensei que teria essa oportunidade um dia. A bolsa é extremamente concorrida, algo como 28 mil candidaturas no mundo inteiro, aproximadamente 3 mil só no Brasil. Comparando com a bolsa da do DAAD, só um milagre para eu conseguir!

Novamente, tive uma surpresa, mas desta vez foi boa! O consulado britânico quase me matou do coração, pois enviou um e-mail 7hrs da manhã me parabenizando, mas apenas 30 minutos depois um outro e-mail pedindo para desconsiderar o e-mail anterior. Fiquei horas sem respostas e sem saber se aquilo era uma pegadinha… tentei contato com os responsáveis, mas me foi dito que eles estavam tendo dificuldades em gerenciar as informações, que eu deveria esperar e seguir pensando positivamente. No final de um longo dia, chega um terceiro e-mail convocando novamente para a entrevista! Neste momento, mesmo sabendo que nada era certo ainda, foi só alegria, pois um milagre tinha acontecido: destes quase 3 mil candidatos, aproximadamente 100 pessoas haviam sido selecionadas para a segunda e última fase… e eu era um deles!

Segui para a segunda fase, fui para uma entrevista em Recife, consegui o aceite da UCL e estou esperando a resposta final, que deverá sair no final de maio, começo de junho. Moral da história: A vida me deu uma lição muito grande, mostrando que nem sempre o que é seguro (a bolsa do DAAD) é certo, e nem sempre o que é “impossível” é inalcançável. E a única forma de descobrir isso é tentando.. por isso: TENTE!

Na próxima semana, o Marcelo disponibilizará para os integrantes do #teamAbroaders (vocês, rs) a sua Statement of Purpose e a Personal History, documentos que teve que redigir para as suas candidaturas! Teremos um post sobre SoP com vídeo e exemplos para baixar. Não percam!


4. Mestrado Profissional nos Estados Unidos pelo Ciências Sem Fronteiras Capes/IIE

Depois de todos os processos seletivos, este que eu julgava ser meu coringa, acabou sendo meu “Ás”! A bolsa de estudos foi ofertada nas últimas e claro, eu já tinha toda a documentação. Eu passava nos requisitos mínimos por pouco, mas passava! Fiz toda a burocracia e depois de alguns meses, lá estava meu nome na lista. Para ter um pouco de emoção, a lista foi revisada e algumas pessoas saíram dela, mas meu coração já estava acostumado e meu nome seguia na segunda lista. O que dificultou foi o atraso no processo e com isso, pouquíssimas universidades ainda estavam aceitando candidaturas.

Como um bom bom brasileiro e que não desiste nunca, escolhi três universidades que ainda estavam abertas e mandei e-mail chorando para Berkeley e VirginiaTech. Berkeley negou de cara, estava com o mestrado lotado. VirginiaTech disse que eu poderia pedir revisão, mas que aconselhava que eu aplicasse para outro centro, pois como eu já havia sido negado uma vez, facilmente eu seria negado uma segunda. Mas eu segui sendo brasileiro e insisti: “Não, eu desejo aplicar para o mesmo centro!”

Certo dia, estou no fazendo compras no mercado e recebo um e-mail da VirginiaTech oferecendo ajuda para alugar apartamentos. Naquele momento eu perguntei: “Tu tá de brincation with me né VT? Já não sabes o que sofri e me mandas este tipo de coisa!” Larguei tudo e voltei para casa correndo, entrei no site da faculdade e lá estava! VOCÊ FOI ACEITO PARA O PROGRAMA DE MESTRADO!

Agora estou no meio das burocracias de visto, aluguel de apartamento, busca de roommates etc.. mas isso não é nada frente ao resto do processo, pois o sentimento que tenho é só alegria! Pedi muito que a vida me desse a chance de realmente escolher para onde eu queria ir, e eis que me foi concedido! Estou indo muito feliz de ir para VT e já abri mão da UCL (a de Londres). Talvez alguem se pergunte, mas como assim? Pensei em tudo e no final das contas vi que a VT é melhor para mim, mesmo a UCL sendo uma das melhores na minha área.

Como fechamento, realmente os processos são bem cansativos. Muitas vezes acreditei que era mais uma prova de resistência do que qualquer outra coisa, mas o sentimento de realização é indescritível. O único conselho que eu posso dar é: tente e se surpreenda!

Em um próximo post, compartilharei com vocês a experiência pós aceite e um pouco da vida por lá! Obrigado! 😉

PhD nos EUA: Existe vida durante o doutorado?

Hello, Gafanhotos!

Hoje temos um post especial. Nós, os Abroaders, estamos working hard para tirar suas dúvidas sobre as candidaturas para uma pós no exterior, MAS ainda não estamos lá! E, afinal, eu quero, tu queres, todos querem saber como é de fato estar lá estudando, fazendo o que você tanto está ralando para fazer. E se não for nada disso que estamos esperando?? :O [pensando bem, fale a verdade, você nem sabe direito o que esperar, não é mesmo?]

Pensando nisso,  entrevistamos a Gisele Ribeiro, PhD student de Geotechnical Engineering da Columbia University (NY). Isso mesmo, muito loosho. A Gisele é conhecida pela sua prestatividade  nos grupos do Facebook destinados ao edital de 2013 do Ciência Sem Fronteiras. Suas dicas inspiraram os Abroaders a fazer o mesmo nos grupos do ano seguinte, e finalmente a fazer este site! Ela esteve no seu lugar, no nosso lugar, e agora está vivendo o que por enquanto só está nos nossos sonhos [diários, eu garanto]. Vamos à entrevista??

Gisele e seu marido, no campus da Columbia University (NY). Ela merece!
Gisele e seu marido, no campus da Columbia University (NY). Ela merece!

A: Como você estruturou o seu Statement of Purpose (SoP) e quais dicas você daria àqueles que ainda não escreveram o documento?

G: Na minha opinião, o Statement of Purpose (SoP) é o documento mais importante na aplicação pro doutorado nos EUA. O motivo é muito simples: este é o documento onde você pode “vender seu peixe” pra quem for ler e cabe a você redigi-lo da maneira mais convincente possível. Documentos como histórico escolar, diploma e currículo são apenas transcrições de atividades já encerradas e não abrem espaço pra mostrar sua personalidade e suas qualidades. No meu SoP, inicialmente eu me apresentei e mostrei um pouco da minha área de estudo e quais foram meus trabalhos finais de curso e de mestrado. Mas no decorrer do meu SoP eu busquei mostrar minhas qualidades que foram desenvolvidas durante certas situações já vividas. Por exemplo, eu citei minha jornada de vestibular. Na época, eu fiz vários vestubulares (inclusive militares) e cheguei a morar 1 ano em outra cidade pra me preparar melhor. Eu quis mostrar como eu me dediquei e trabalhei duro pra conquistar meus objetivos. E ainda mostrei que, com isso, eu me tornei uma pessoa muito mais focada e disciplinada, em termos de estudos. Ou seja, o importante é você mostrar suas qualidades/características que são importantes pra realizar um doutorado fora do país, mas ao mesmo tempo, tentar relacioná-las com alguma história de vida sua, mostrando sua personalidade. Por último, eu concluí com um parágrafo de expectativas/planos em relação ao futuro depois do doutorado. No final das contas, meu SoP teve apenas uma introdução da minha área acadêmica e o desenvolvimento foi baseado em experiências vividas (pessoais ou profissionais) pra mostrar um pouco da minha personalidade.

O importante não é apenas contar uma história, mas sim saber contá-la pra tirar máximo proveito dos seus pontos positivos.

Ficou curioso sobre a SoP da Gisele?? Ela muito gentilmente disponibilizou o documento na íntegra! VEJA

 

A: Sobre as suas notas nos exames requeridos (TOEFL e GRE), o que você acha que fez a diferença para ser selecionada em uma universidade de excelência?

G: Eu não acho que o TOEFL ou o GRE tiveram um papel fundamental nas minhas aprovações. Na prova do GRE, principalmente pra quem é da área de engenharia (meu caso), acredito que é importante você dar mais atenção ao Quantitative Reasoning (acima de 160 pontos já é uma boa pontuação). Talvez isso tenha me ajudado (ou não tenha me atrapalhado) nas minhas aprovações.

A: O nível das disciplinas nos EUA é muito diferente do nível brasileiro?

G: Aqui nos EUA o conceito das aulas é bem diferente do Brasil. A carga horária de aulas por semana é mínima (no meu caso, 1 aula de 2h30 por semana) e espera-se que o aluno absorva grande parte do conteúdo estudando em casa e fazendo os exercícios que os professores pedem (deveres de casa, projetos, artigos, etc). Ou seja, o processo de aprendizagem é muito mais “auto-didata” aqui nos EUA, enquanto que no Brasil as aulas são mais lapidadas, exigindo menos esforço do aluno pra compreender o conteúdo. Não sei se dá pra comparar o “nível” das disciplinas entre os 2 países, mas definitivamente, você terá muito mais trabalho e terá que estudar MUITO mais nos EUA.  

A: Mesmo com a proficiência do inglês comprovada, você teve alguma dificuldade em acompanhar as aulas?

G: Quando eu me mudei aqui pra NY, no dia seguinte eu já estava indo pra minha primeira aula, ou seja, não tive muito tempo de me adaptar com o inglês antes. Além disso, especificamente aqui em NY, existem pessoas de TODO lugar do mundo, o que dificulta um pouco mais pra entender o inglês de cada indivíduo. Ex: o inglês de um chinês é diferente do inglês de um indiano, que é diferente do inglês de um coreano, europeu, africano, sul-americano, e por aí vai. Eu demorei um pouco (umas 2 semanas) pra me acostumar com as aulas (principalmente com um professor chinês, que foi o que eu tive a primeira aula). Mas logo na terceira semana as coisas começaram a fluir mais naturalmente. Outra dificuldade que eu tive com o inglês foi em relação a alguns termos técnicos da minha área que eu não era familiarizada. Fiz uma matéria onde eu tinha que anotar as palavras que eu nunca tinha escutado antes pra depois procurar num dicionário inglês/português específico da minha área. Mas depois das primeiras semanas eu também acabei me acostumando.

A: Como tem sido sua rotina de estudos/trabalho? Como são os horários na faculdade e o tempo de estudo em casa? Existem finais de semana e, quem sabe, férias… ou ficaremos presos em masmorras estudando e pesquisando?

G: Meu primeiro semestre (Fall 2013) foi muito INTENSO, afinal era tudo muito diferente do Brasil. Inicialmente, tive dificuldades de adaptação em relação à universidade e ao ritmo de estudos. Como eu já disse, a carga horária de aulas é pequena. Fiz 4 matérias no primeiro semestre (12 créditos no total, que é o mínimo pra ser considerado full-time student), cada uma delas tinha apenas 1 aula por semana com duração de 2h30. Mas em compensação, minha carga horária de estudos em casa era sem limites. Eu estudava TODOS os dias, praticamente o dia inteiro. Eu até queria fazer alguma atividade extra (tênis, por exemplo), mas foi impossível. No segundo semestre agora a carga de estudos continua grande, mas eu já tenho uma noção de como as coisas funcionam. Ou seja, continua intenso, mas eu me acostumei e aprendi a lidar melhor com essa situação. Eu também dei início à pesquisa nesse semestre (estou trabalhando num grupo de pesquisa como RA = research assistant) e estou aprendendo a conciliar essa parte com os estudos.

O início pode ser complicado, mas o tempo é sem dúvidas nosso melhor amigo nessa jornada.

Quanto às férias, estou indo pro Brasil agora no final de maio. Antes disso, eu usei alguns feriados (Thanksgiving, Natal) e os breaks (fall e spring breaks) pra espairecer e viajar um pouco por aqui. [Elas existem, afinal!!]

A: Escolheu viver on campus ou off campus? Por quê?

G: Escolhi morar off campus por dois motivos: primeiro porque meu marido já morava aqui em Brooklyn antes e segundo porque o preço é bem mais acessível fora de Manhattan. O transporte público aqui em NYC funciona super bem, então não tenho problemas para me deslocar até a universidade, mesmo que eu leve 1h pra chegar lá de metrô.

A: É realmente possível viver tranquilamente com a bolsa da CAPES? Você já precisou usar o plano de saúde?

G: No meu caso, meu marido já morava e trabalhava aqui em NY antes de eu me mudar pra cá, então até que consigo viver tranquilamente com a bolsa da CAPES. Mas se não fosse por isso, o aluguel aqui em NY é bem caro e acredito que a bolsa cobriria no máximo os gastos básicos de moradia, comida e transporte. Depende muito da cidade para onde você vai. O plano de saúde pra estudantes aqui na Columbia University é da AETNA. É um plano bom que cobre as necessidades básicas. Eu já utilizei aqui 2 vezes (em um hospital fora da universidade) e paguei só 30 dólares de co-payment pra uma clínica onde fiz exames. O maior problema é o fato de não cobrir consultas odontológicas. E dentista é algo caro aqui nos EUA. Fora isso, até agora deu tudo certo.    

A: Quanto tempo demorou pra sair o seu visto? Que dia a LASPAU lhe enviou o DS-2019* ?

G: Meu visto/passaporte demorou 5 dias pra chegar na minha casa em Brasília, depois de ser aprovado na entrevista no consulado. O meu DS-2019 foi enviado pela LASPAU por email no dia 02 de julho e no dia 08 de julho eu o recebi por correio (que é o que importa). A versão escaneada recebida por email não pode ser utilizada pra levar pra entrevista do visto, apenas a versão original do documento é válida. Por isso, é importante marcar a entrevista no consulado quando você já estiver com o DS-2019 EM MÃOS.

*NOTA DOS ABROADERS: O DS-2019 é um documento enviado pela LASPAU para você, sem o qual não é possível solicitar o agendamento de uma entrevista na embaixada para retirar o visto.  

A: Qual opção você escolheu pra gerir suas finanças? A CAPES sugere/exige alguma?

G: A CAPES envia um cartão BB Americas pra TODOS os bolsistas de doutorado pleno nos EUA. É assim que funciona. Você terá uma conta no BB Americas e a CAPES irá depositar os pagamentos da sua bolsa APENAS neste cartão. Não tem como mudar isso. O que você pode fazer (quase todos os bolsistas aqui fizeram) é abrir outra conta em um banco americano qualquer e transferir sempre o dinheiro do BB Americas pro seu banco americano. A transferência é rápida, sem taxas, e sem limites diários (tem apenas um limite de $2.000,00 por transação, mas você pode realizar várias transações num mesmo dia). Ou seja, super tranquilo.

A: Você precisou modificar o plano que enviou para a CAPES? Como foi esse procedimento?

G: A renovação da bolsa da CAPES acontece de ano em ano. Eu estou renovando a minha bolsa agora (tenho até final de maio pra enviar os documentos). Nessa renovação, você pode modificar seu plano de estudos escrevendo outro (acredito que pode ser mais simples do que o primeiro que fizemos). No meu caso, provavelmente terei que modificar, mas parece que não tem muito mistério não. O pedido de renovação é feito através do site da CAPES (http://sacexterior.capes.gov.br/sacexterior/) em Formulários Online. Alguns dos documentos que devemos enviar são: avaliação do orientador, cronograma de estudos, histórico escolar, relatório acadêmico.

A: Como está sendo a adaptação ao PhD até agora?

G: Eu diria que o primero semestre é o mais difícil em todos os sentidos. Eu nao conhecia ninguém e tive que me virar em tudo sozinha. Eu via que tinham muitos grupos (de chineses, indianos, americanos, etc) nas aulas de engenharia aqui. Foi difícil quebrar um pouco essa “segregação”, mas o que me ajudou muito a me inserir mais na universidade foi o meu grupo de pesquisas que tem 12 pessoas (9 são chineses, contando com meu professor).

Acho importante essa inserção dos alunos na universidade de algum modo. Minha dica é: tente conhecer pessoas e fazer amizades seja participando de um grupo social ou de pesquisa, seja fazendo algum tipo de atividade. Enfim, acho importante ter alguém pra conversar, tirar dúvidas, pedir ajuda, discutir sobre pesquisa em geral, etc. Isso pode ajudar muito na sua adaptação.

Hoje, eu já estou mais envolvida com a pesquisa, além das disciplinas. Aqui nos EUA, a pesquisa na universidade é muito valorizada. Geralmente, os projetos são apoiados financeiramente por empresas que investem pesado mesmo. Isso é super motivador! Acho importante essa conexão entre universidade e indústria (principalmente na área de engenharia).  

A: Que principal conselho você daria a quem está enfrentando esta jornada agora: tanto aos que já estão fazendo as malas como aos que estão iniciando suas candidaturas?

G: Aos que estão iniciando o processo agora, a caminhada é longa, cheia de obstáculos, mas tenha fé e muita paciência, acredite no seu potencial até o fim e não tenha medo de ousar nas suas escolhas. É possível pra TODOS! E pra quem já está na jornada, o conselho que eu dou é que tenham muita persistência e preparem-se (em todos os sentidos) pra virem pra cá! O choque é grande, mas além de toda a experiência acadêmica/profissional, a experiência de vida e o seu crescimento como indivíduo são impagáveis! Vale a pena!