DOIS ERROS para você evitar ao se candidatar a uma pós no exterior: um depoimento de Luiza Cruz

Hoje temos uma inspiração para vocês!

O nome dela é Luiza Cruz, ela é mineira, formada em Farmácia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e está a caminho do seu doutorado em Química na Imperial College London. Mas para chegar lá, teve que driblar algumas pedras no caminho…

A hora da candidatura vai chegando e você fica igual a siri na lata, perguntando:

“tem alguém que NÃO passou? Alguém que foi aceito pelo programa de bolsas (como o Ciência sem Fronteiras, por exemplo) aqui no Brasil mas foi recusado pelas universidades??”
“tem alguém que NÃO passou? Alguém que foi aceito pelo programa de bolsas (como o Ciência sem Fronteiras, por exemplo) aqui no Brasil mas foi recusado pelas universidades??”

Well, jovem, tenho uma boa e uma má notícia pra vocês, mas vou dar a má primeiro (como sempre):

SIM, TEM GENTE QUE NÃO É ACEITO POR NENHUMA DAS UNIVERSIDADES.

Mesmo tendo milhares de experiências acadêmicas, estágios, o diabo a quatro.

Oh, céus, mas POR QUÊ???
Oh, céus, mas POR QUÊ???

Porque eles não conheciam os Abroaders  cometeram alguns erros muito comuns, que parecem bestas mas são desastrosos. Pode dar a boa notícia agora?

Temos aqui uma candidata que TENTOU DE NOVO, PASSOU, e veio dar as dicas de como NÃO repetir esta experiência – a não ser que você curta fortes emoções, viver perigosamente, e tal… daí você pode ser nosso próximo exemplo de superação, mas garanto que prefere seguir as dicas da Luiza e ser feliz logo de primeira. Então, com vocês, Luiza Cruz!

“Quando eu comecei o meu primeiro processo para realizar o doutorado no exterior pelo Ciência sem Fronteiras, em agosto de 2012, nunca achei que somente dois anos depois finalmente conseguiria. Estava realizando o estágio final da faculdade em uma indústria, já havia feito um estágio em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) em um instituto na Suíça, participado por três anos de projetos de iniciação científica e ganhado prêmio de destaque acadêmico na minha turma de graduação. Hoje, posso ver claramente meus dois maiores erros naquela primeira vez: escolha do orientador/programa e a elaboração da SoP (Statement of Purpose).

Pode parecer meio óbvio, mas na pós-graduação você tem um grau maior de interdisciplinaridade e por isso mais opções de programas e orientadores. Em 2012, eu não sabia como era o processo para ser admitida e acabei fazendo escolhas erradas. Não pesquisei direito e nem mantive contato com os professores, ou seja, o caminho certo… se você deseja fracassar. E foi depois de um fracasso total no primeiro ano que decidi tentar de novo.

Pensei: o que eu quero fazer depois do doutorado?

A resposta estava na ponta da língua e então comecei a listar o que eu precisava e quais programas e orientadores poderiam me ajudar a chegar lá.  Mudei de área e mantive contato com vários potenciais orientadores (acabei nem me candidatando para todas as universidades). Para ter certeza do research fit, ou seja, se os meus planos de pesquisa se encaixavam com os interesses dos orientadores, fiquei de olho nas publicações mais recentes dos grupos de pesquisa (em quais periódicos, com qual freqüência publicavam e as colaborações mais importantes). Depois de muita pesquisa, eu fechei minha lista com a certeza de que em qualquer um dos grupos eu seria bem-vinda e de que a pesquisa tinha tudo a ver comigo.

Segundo e mais importante, SoP. Hoje eu sei que meu primeiro SoP foi digno de dó. Parecia mais uma versão em texto do meu currículo. Na minha segunda tentativa, eu tirei tudo que já estava no meu currículo e foquei no que era realmente importante:

Por que eu, e não outra pessoa, tinha que ser escolhida?

Mostrei por A + B (com citação e tudo!) que não só eles eram a minha escolha lógica como também eu era a deles. Na média, cinco parágrafos e uma página e meia foram suficientes para mim. Antes de submeter, eu pedi a uma amiga inglesa, ao meu ex-mentor que é doutor na minha área e que tem o emprego dos meus sonhos e a minha irmã para avaliarem meu texto. No total, fiquei quase 5 meses trabalhando no meu texto. E se eu o ler hoje, com certeza ainda mudaria muitas coisas. Por isso, gaste o máximo de tempo e esforço que der nele, vai valer a pena.  

Assim que percebi o fracasso iminente de 2013, decidi que iria fazer de tudo para levar a minha candidatura a outro nível. Pensei nas coisas que poderiam ser melhoradas. GPA da graduação? Já era. Refazer os testes? Muito trabalhoso, mas possível. Refiz o GRE e melhorei minha nota (não acredito que o GRE seja o fator decisivo em uma application, mas também não atrapalha e, se você tem o tempo e o dinheiro, por que não?).

Agora o ponto mais crítico e talvez mais trabalhoso. Eu sabia que não podia ficar simplesmente um ano parada (academicamente falando) e seria muito bom ter mais experiência em pesquisa na área. Solução? Mestrado. Não pelo título em si, mas pela experiência em pesquisa, que nunca é demais. Também me ajudou o fato do mestrado ser na nova área escolhida e, portanto mostrou aos avaliadores que mesmo sendo de outra área eu poderia dar certo no programa deles.

Mas mesmo sendo cuidadosa, ainda cometi alguns erros. Uma das muitas exigências dos programas de pós-graduação nos EUA é o GRE Subject [nota dos Abroaders: em nosso material sobre o GRE, falaremos sobre isso]. Entre os top 20 programas da minha área, somente um ou dois não exigem o teste. E se você quer ir para as melhores universidades (quem não quer?), se prepare para enfrentar forte concorrência aqui. Na minha área, é bastante comum ver norte-americanos com 60, 70% sendo aprovados nos melhores programas, sendo que para estudantes internacionais a média fica acima de 90%. Além disso, o teste pode ser oferecido até três vezes por ano, mas no Brasil geralmente apenas duas datas são disponibilizadas. Ou seja, não deu tempo de estudar e quando fui ver já não havia mais data disponível e acabei não fazendo o teste.  Ainda dá tempo de checar esses requerimentos e não bobear que nem eu (geralmente, as provas são em abril, setembro e novembro).

Enfim, depois de dois anos de muita correria, finalmente colhi os frutos. Fui aceita em 3 de 4 das minhas universidades (na quarta fiquei na lista de espera), fui chamada de top candidate em uma, chorei para escolher outra, mas… so far no regrets.

Em outubro vou começar meu doutorado para fazer exatamente o que eu sempre quis fazer e com a certeza de que foi a melhor escolha.”

Lindo, não? Aposto que ficou com os olhos marejados aí. Pois respire, volte à vida real e releia o texto com cuidado, porque a Luiza deu dicas muito importantes aqui! Muitas delas você verá novamente em breve, em nosso material sobre SoP que estamos preparando com cuidado.  Ah! Se quiser saber mais sobre como encontrar seus orientadores e universidades, clique aqui.

Abraço dos Abroaders!

Uma resposta para “DOIS ERROS para você evitar ao se candidatar a uma pós no exterior: um depoimento de Luiza Cruz”

Deixe seu comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.