O que é (e o que não é) um doutorado!?

Recebemos muitas perguntas sobre como é a experiência de fazer um doutorado, como é a rotina, demandas de trabalho, etc. Esse post é uma tentativa de responder tais dúvidas e esclarecer de vez o que é e o que não é um doutorado no exterior.

Vale ressaltar que a rotina de alunos de doutorados em Exatas, Biológicas e Humanas varia. A rotina descrita aqui corresponde a rotina de um aluno em Humanas ou Ciências Sociais. Aguarde posts futuros sobre a rotina do doutorado em outras áreas de estudo.

Primeiro: doutorado não é curso de inglês que você vai duas vezes por semana e faz lição de casa uma hora antes de ir para a aula.

Segundo: doutorado não é ensino fundamental onde você  tem aula das 7:30  até  13:00 da tarde, estuda uma hora por dia e passa o resto do dia assistindo Sessão da Tarde e Malhação.

Terceiro: doutorado não é ensino médio onde aquele professor vai te cobrar todo dia o conteúdo da matéria e a tarefa do dia. Ninguém irá te cobrar nada, mas ainda assim esperarão muito de você.

O que é, então, um doutorado?

Na realidade, um doutorado no exterior exige dedicação integral, de oito a dezesseis horas por dia de estudo, incluindo sábado, domingo e feriados. Durante os dois ou três primeiros anos, um aluno de doutorado precisa cursar uma certa quantidade de matérias e obter os devidos créditos. Essa quantidade varia por programa e por área de estudo. Contudo, nos Estados Unidos, alunos estrangeiros precisam cursar no mínimo 12 créditos (normalmente quatro matérias) por semestre para ser considerado aluno em tempo integral.

Ou seja, nesses primeiros anos, grande parte da sua carga de trabalho será focada em atender os requisitos das matérias que você está cursando. Isso envolve muita leitura (de certo uma média de  100 páginas por semana por matéria – mínimo de 400 páginas por semana), escrever relatórios e textos sobre o conteúdo lido, responder perguntas ou fazer exercícios práticos. Nos Estados Unidos, é esperado que o aluno se prepare para a aula e venha com o conhecimento necessário para discutir o tópico.

Participar em discussões em aulas faz parte de como professores americanos avaliam os alunos. Ou seja, se você vai para a aula sem estudar antes, é muito provável que não terá bom aproveitamento na matéria. A grande maioria de programas de doutorado possui exigências mínimas de aproveitamento em matérias. Estudar MUITO é uma condição sine qua non para fazer um programa de doutorado no exterior.

Mas calma… Isso não é tudo. Além da gigantesca carga de trabalho que as matérias exigem, alunos de doutorado também precisam se dedicar a sua própria pesquisa, desenvolver o seu projeto de pesquisa. O projeto de pesquisa deve ser um detalhado plano do que será a sua pesquisa, qual a fundamentação teórica utilizada, qual será a contribuição original que tal pesquisa irá prover e sua relevância para a área de estudo, quais resultados espera obter, e qual metodologia será desenvolvida para chegar em tais resultados. Cada programa possui seu timeline em relação a quando esse plano precisa ser desenvolvido, apresentado e aprovado. Normalmente isso deve acontecer ao finalizar as matérias cursadas. Porém, tal timeline varia de programa para programa.

De qualquer maneira, se preparar para escrever e, realmente escrever o plano de estudo requer uma carga de trabalho que, na verdade, é dificil de descrever. É trabalho PRA CARAMBA. Muita pesquisa, leitura, resumos e tentativas de elaborar um plano de pesquisa que seja viável e relevante ao mesmo tempo. Detalhe que isso ainda não é a pesquisa em si, mas o planejamento do que será a pesquisa e como essa será realizada de maneira efetiva.

Mas calma… Isso não é tudo. Além das matérias e do plano de pesquisa, há ainda o exame de qualificação. Como todos os outros itens, a timeline do exame e o formato dele variam de acordo com área de estudo e programa. Tentarei resumir de forma sucinta o que raio é esse exame: imagina você ter que provar que já estudou o suficiente sobre a sua área de conhecimento para poder ensinar outros e ser considerado uma autoridade em tal área. Em outras palavras, é trabalho PRA CARAMBA .

Mas CALMA… Isso AINDA não é tudo. Caso o seu orientador tenha um laboratório, além de tudo o que eu já descrevi, você provavelmente terá que trabalhar algumas horas do dia no laboratório, na sua pesquisa ou em colaboração para outros projetos.

Depois de todo esse trabalho, você terá que colocar em prática o plano de pesquisa durante os últimos anos do doutorado. Nesse período, o tipo de trabalho de cada doutorando varia muito de acordo com o tipo de pesquisa e metodologia desenvolvida. E ainda escrever a tese apresentando o processo e resultados da pesquisa (que é basicamente um livro).

Agora você deve estar pensando que acabou, certo? ERRADO. Além de matérias, plano de pesquisa, exame de qualificação, laboratório, doutorandos ainda precisam se preocupar em frequentar conferências e publicar artigos a fim de divulgar o seu trabalho e ter uma chance de arrumar um emprego.

Além de tudo isso, a gente ainda tem que comer, tomar banho, dormir, enfim… viver.

É trabalho PRA CARAMBA, sem vale refeição, férias, décimo terceiro, ou salário, pra falar a verdade. Bolsa de estudos não é salário. Bolsista não lucra com bolsa de estudos. Bolsa de estudos é um dinheiro mínimo para pagar aluguel, contas básicas e comer. Mas esse já é tema para um outro post…

Turismo sem Fronteiras? A verdade sobre os bolsistas de doutorado

Olá, Abroaders! Primeiro, preciso agradecer em nome de toda a equipe do site pelos 1.4k compartilhamentos do nosso último post! Graças a vocês, conseguimos expor a situação complicada que nós, estudantes de doutorado, estamos enfrentando.

Como consequência, a mídia brasileira publicou alguns artigos sobre isso. Um exemplo de um artigo bem informado é este aqui, apesar da manchete um tanto sensacionalista. Infelizmente, alguns jornalistas não conferem seus dados com responsabilidade.  A gente leu este artigo da Folha de São Paulo, por exemplo. Depois, quebramos o Décimo Primeiro Mandamento (“Não Lerás os Comentários Alheios”) e nos deparamos com as seguintes pérolas:

“Espero que os doutorandos do Turismo sem Fronteiras sejam melhorzinhos que os graduandos”, “É uma gastança sem fim”, “Quem quiser fazer estudos fora do país que faça com seu dinheiro e não com nossos impostos”, “Quer fazer férias de graça entre no Ciência sem Fronteiras”… e o resto virou disputa partidária (melhorem, pessoas).

Se você conhece alguém que pensa assim, com certeza esta pessoa não sabe o que é um doutorado. Mas nós ajudamos a desenhar: já escrevemos o próximo post que explica direitinho (em breve, e com o selo Abroaders de qualidade).

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Nos representa!

Mas o que leva as pessoas a ter uma opinião tão crítica sobre o programa?

Primeiro, claro, a fama que infelizmente muitos estudantes de graduação sanduíche ajudam a alimentar e que rendeu o apelido de “Turismo sem Fronteiras”.  Por isso, uma das principais críticas ao Ciência sem Fronteiras é que o programa deveria ser focado na pós-graduação (73% das bolsas foram destinadas à graduação sanduíche, enquanto apenas 3% delas foram destinadas aos programas de doutorado).

Apesar da fama da graduação sanduíche, muitos estudantes souberam aproveitar a oportunidade para alcançar reconhecimento nacional e internacional.

Exemplos? Este site que os estudantes organizaram para ajudar outros estudantes e contar suas histórias, ou esta reportagem sobre como duas estudantes de graduação sanduíche na Arizona State University ganharam menção honrosa e foram finalistas de um prêmio promovido por ninguém menos que a ONU e o GOOGLE. E aqui ou aqui estão exemplos de como ex-bolsistas de graduação do Ciência sem Fronteiras trouxeram benefícios ao país – tem mais no site da CAPES.

Segundo, a própria reportagem da Folha traz algumas (des)informações que manipulam a opinião pública. Por exemplo:

1) Dizer que o investimento mensal para se manter um doutorando nos EUA é de R$6000. O Fulano que sugeriu que usássemos nosso próprio dinheiro não sabe que este é o valor pago pela Capes apenas como um “salário” para que paguemos aluguel e outras despesas. Ainda há uma quantia muito maior sendo paga como matrícula semestral e taxas para as Universidades. As Universidades nos EUA não apenas não são gratuitas, como são caríssimas! Ah, a propósito, manter um doutorando aqui não é gasto, é investimento. Se duvida, dê uma lida no Manual do Bolsista  e veja toda a contrapartida que o Governo espera de nós. 

2) Dizer que a intenção do Programa é enviar estudantes para as melhores universidades do mundo, mas apenas 4% estão entre as 25 melhores universidades segundo este ranking.

MINHA GENTE, em primeiro lugar, estes 4% incluem os alunos de graduação sanduíche. Além disso, vamos combinar que mais de 100 mil brasileiros não cabem em 25 universidades, ok? E já que estamos falando de doutorado, como sempre, aqui vão dados fresquinhos providenciados pela Laspau(órgão afiliado à Harvard que faz parceria com a Capes para manter os doutorados nos Estados Unidos).

A primeira coisa que você tem que saber é que o tal ranking tem suas limitações. Existem universidades TOP em uma determinada área que não estão entre as melhores no ranking geral. Por exemplo, o Worcester Polytechnic Institute (WPI) é top em Engenharia, mas não está no ranking.

Se isso não te convenceu, saiba que, entre os estudantes de doutorado pleno nos EUA (Laspau/Capes/CNPQ):

  • 86% estão em universidades com ranking melhor que a UNB
  • 78% estão em universidades com ranking melhor que a UNICAMP
  • 62% estão em universidades com ranking melhor que a USP
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Dados fresquinhos fornecidos pela Laspau sobre os estudantes de doutorado pleno nos EUA.

 

Enfim, o programa é perfeito? Longe disso. Precisa de mais “ênfase” na pós-graduação? Sem dúvidas. Dentre outras melhoras que precisam ser feitas (estamos estudando fazer um post sobre isso), especialmente no que se refere ao excesso de burocracia, má comunicação do governo brasileiro com os estudantes, e normas abusivas no novo manual. Mas o programa em si não é “turismo”, nem “gastança”. É um investimento necessário a médio e longo prazo, feito por um país com o ambiente acadêmico e de pesquisa sucateados, que não oferece o devido apoio aos seus cientistas, e que precisa investir em educação superior para trazer benefícios futuros. 

Podemos parecer suspeitos para falar, mas acredito que os dados trazidos nesta postagem mostram que a solução não é acabar com o Ciência sem Fronteiras, e sim aprimorá-lo para otimizar os benefícios ao país – e o retorno do investimento feito com os seus impostos.

Não posso terminar este post sem agradecer à Laspau, que tem estado ao lado dos bolsistas nesta luta. Eles entendem como de fato funcionam os programas de doutorado nos Estados Unidos, conhecimento que falta à Capes e a muitos consultores que avaliam nossos pedidos de renovação anuais. Mais que tudo, a Laspau – uma organização estrangeira – tem nos oferecido o suporte, atenção e empatia que nosso próprio país tem falhado em providenciar.

É isso, pessoal.

Compartilhe este post com seus amigos e família, e principalmente com todas as pessoas que pensam que você está fazendo ou quer fazer turismo utilizando o dinheiro público. Obrigada!

NOTA: Se você é uma das pessoas que consideram o doutorado no exterior uma gastança, turismo, ou falta do que fazer, vai fazer um e depois a gente conversa.

 

 

Bolsistas de doutorado no exterior aguardam decisão da Capes há mais de cinquenta dias e podem ficar sem recursos para necessidades básicas

 

Graças ao descaso do Governo Brasileiro com o futuro da ciência no país,  seus impostos estão indo pelo ralo – em dólar

Amigos, já faz um tempo que não publicamos nada. É uma pena que estejamos de volta com esta postagem em particular, mas agora somos nós que precisamos da ajuda de vocês. Por isso, hoje não tem piada, nem brincadeira, nem bom humor. Hoje o assunto é sério. Vamos lá.

 

Nós somos estudantes de doutorado pleno nos Estados Unidos pelo programa Ciência sem Fronteiras. Quem cuida das nossas bolsas de estudo é a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que faz parte do Ministério da Educação (MEC).

 

Nós recebemos uma bolsa de estudos de duração máxima de 48 meses, a ser renovada anualmente sob pedido do estudante. Todos os anos, fazemos o pedido de renovação junto à CAPES três meses antes do início do novo ano letivo e enviamos os documentos necessários (formulários, relatório de desempenho, e pareceres dos orientadores). Esta etapa ocorre normalmente até o mês de Abril, para os doutorandos que iniciam o período acadêmico em Agosto, ou em Maio para os que pesquisam em universidades onde o ano letivo tem início em Setembro.

 

É importante ressaltar que os estudantes não são autorizados a fazer esta solicitação com antecedência maior que os três meses, conforme orientado pela CAPES.

 

Este ano porém, até a data de hoje, muitos bolsistas ainda se encontram sob a expectativa da renovação. A situação é especialmente preocupante para muitos de nós porque a última trimestralidade recebida pela CAPES se encerra no próximo mês, Julho de 2016. Sendo assim, caso algumas bolsas não sejam renovadas, dificilmente teremos tempo hábil para solicitar recurso e/ou auxílio dos departamentos de pesquisa locais antes que nossos recursos financeiros se esgotem.

 

Estamos, portanto, a um mês e meio do esgotamento do nosso financiamento atual e ainda sem ter conhecimento sobre o rumo que tomarão os nossos processos no próximo ano. A resposta que obtivemos da CAPES quanto a este atraso é que, segundo o Manual do Bolsista (que a propósito vem sofrendo modificações constantes sem notificar os estudantes), as nossas solicitações devem ser enviadas com 90 dias de antecedência para que haja tempo hábil para a avaliação por parte da CAPES (como fizemos). Segundo a Auxiliar Administrativa da CAPES informou os bolsistas por e-mail, isso significa que a CAPES terá até o início do próxio ano letivo, ou seja, até o esgotamento total do nosso salário trimestral, para emitir um parecer sobre a renovação das bolsas. A auxiliar não aprofundou a resposta ou investiu esforço algum para entender a situação dos estudantes ou averiguar o que poderia ser feito. Isso, aliás, é uma marca da comunicação da CAPES com os bolsistas: a maioria dos e-mails de resposta limita-se a transcrições de trechos do Manual do Bolsista e não há nenhum esforço por parte da agência do Governo em avaliar as solicitações caso-por-caso (falaremos mais sobre isso na próxima publicação).

 

Diante disto, eu lhe pergunto: você sabe o que acontece se a renovação de uma bolsa for negada?

 

Neste caso, o estudante pode 1) entrar com um recurso em até 10 dias e aguardar a nova decisão da CAPES, 2) pedir auxílio ao departamento de pesquisa na Universidade no exterior para tentar um financiamento pela Universidade, ou seja, uma bolsa de estudos independente do Ciência sem Fronteiras, CAPES, Governo Brasileiro, ou 3) aceitar a decisão da CAPES sem recorrer, abandonar o doutorado no meio do caminho, e retornar ao Brasil em até 30 dias contados a partir da decisão da CAPES.

 

Agora, me diga: se tivermos a renovação da bolsa negada, com que recursos o Governo espera que possamos ficar e tentar resolver a nossa situação (leia-se entrar com o recurso ou pedir ajuda à Universidade)?? Como vamos pagar aluguel, alimentação, e contas durante este período de espera do resultado final, ao qual temos direito??

 

Ao mesmo tempo, temos notícias de que alguns estudantes estão tendo seus pedidos de renovação negados, sob justificativas gerais e supérfluas em pareceres que não são sequer assinados por um consultor. Há consultores alegando pouco potencial de inovação em projetos já aprovados pela CAPES e renovados em anos anteriores! Outros ignoram completamente os pedidos de alunos, apesar de excelentes desempenhos acadêmicos, comprovados por histórico escolar, relatório de atividade e recomendação de professores.

 

As consequências deste descaso do Governo Brasileiro não param aí. Primeiro, lembramos que nós, bolsistas, investimos nosso tempo e recursos no processo de admissão ao doutorado (estamos falando de muitos meses e alguns mil reais), para que tivéssemos nossos estudos financiados pelo Governo Brasileiro com a contrapartida de retornarmos ao país para devolver o conhecimento adquirido. Vamos deixar claro: o Governo investiu em nós, o que é diferente de fazer um favor. Portanto, a não renovação de bolsas por motivos como os que citamos aqui é a perda deste investimento.

 

Segundo, por causa desta falta de respeito que o Governo vêm demonstrando com os bolsistas, muitos de nós já estamos cogitando buscar apoio das Universidades para que nos mantenham como bolsistas independente da CAPES. O que isso significa? Que muitos bolsistas estão optando por cancelar seus contratos com o Governo e pagar de volta o valor investido com juros e correção monetária para não ter que conviver com este tratamento que nos é dado pela CAPES. Em outras palavras, bolsistas estão escolhendo devolver o investimento brasileiro e aplicar o conhecimento adquirido no país que os acolheu e os levou a sério. Justiça seja feita, um doutorado (ainda mais longe de casa, família, e amigos) já acrescenta uma carga considerável de estresse na vida de um estudante. A última coisa que precisamos é ser tratados com descaso pelo nosso próprio país!

 

OU SEJA: o Ciência sem Fronteiras e os programas de doutorado no exterior da CAPES estão perdendo a sua função primária que é investir na capacitação da pesquisa brasileira! E isso, amigos, é muito sério. É o dinheiro dos impostos de milhões de brasileiros jogado no lixo, mais uma vez.

 

Por isso, agora pedimos a sua ajuda. Já enviamos uma carta assinada por mais de 50 bolsistas à Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG), que tem como uma de suas funções representar os estudantes na cobrança de seus direitos junto às agências patrocinadoras como a CAPES. Mas isso não é suficiente, queremos que ouçam nossa voz!  Compartilhe este texto e/ou estas informações como quiser.  Mande para seu candidato no Governo, para seu amigo jornalista, divulgue em redes sociais. Faça seus amigos, sua família, e todos que pagam impostos saberem o que está acontecendo com a pesquisa no país.

 

O Futuro do Brasil agradece.

Conheça a BRASCON, conferência voltada para estudantes brasileiros nos EUA

E aí, já sabe o que fazer depois da pós graduação? Como fazer pra usar esse aprendizado todo no exterior pra gerar inovação, crescer na carreira e garantir um emprego?
Três estudantes brasileiras de pós graduação resolveram promover uma conferência aqui, nos Estados Unidos para tentar responder essas perguntas – a BRASCON. Essa idéia cresceu e hoje a equipe conta com 17 membros de 13 estados americanos e 14 universidades.

Nessa conferência, pesquisadores brasileiros que estudaram nos Estados Unidos e que hoje tem alto impacto na comunidade científica, assim como empreendedores brasileiros de sucesso, vão contar um pouco da sua trajetória. Dentre os palestrantes confirmados estão Miguel Nicolelis, Marcelo Gleiser e Leonardo Teixeira.

Além dessas feras da academia, representantes de instituições chave para a ciência e indústria no Brasil e nos Estados Unidos vão participar de painéis de discussão.

E você? Você pode apresentar seu trabalho oralmente ou como poster e de quebra conhecer outros brasileiros que estudam ou trabalham nos Estados Unidos. Esses contatos podem fazer toda a diferença na hora de encontrar colaborações pra sua pesquisa (e quem sabe até um emprego).

Vem pra BRASCON você também! Vai ser dias 12 e 13 de março do ano que vem (provavelmente no seu Spring Break), na Harvard University. Inscrições pelo site brasconference.org.

Fique por dentro da BRASCON, siga a página no facebook: BRASCON no Facebook.

FAQ renovação J1

Olar gafanhoto!

Já passou um ano que você está se estressando estudando e resolveu tirar umas férias no Brasil? Pois é, se você tem o visto J1, vai ter que renovar antes de voltar para a terra do Tio Sam! Mas do not fear my friend! Neste post juntamos as perguntas que temos recebido de nossos fãs leitores e as respostas de quem já passou por mais essa burocracia.

 

Sem mais delongas vamos ao que interessa:

  • Preciso pagar a SEVIS? Não! A taxa SEVIS (Student and Exchange VISitor program) está atrelada ao seu programa de pós e só é necessário pagar uma vez. Como o pessoal que veio com o CsF teve sua SEVIS emitida pela LASPAU, se você desistir da bolsa brasileira e quiser ficar apenas com alguma bolsa da universidade, por exemplo, você talvez tenha que pagar novamente. Mas aí não podemos ajudar, ninguém passou por isso aqui.
  • A renovação é automática? Não! Você vai ter que passar por todo o processo novamente, ir ao CASV, agendar entrevista, pagar aquela taxa marota da entrevista… Mas não tenha medo, é só seguir o lindo passo-a-passo que a gente já fez.
  • Mas eu liguei pra agendar o CASV e o aendente me disse que não preciso ir ao consulado fazer entrevista!??? Pois é, mas tem. Quando você for no CASV, vão te mandar fazer a entrevista de qualquer jeito! E o pior é que talvez não tenha horário disponível no mesmo dia ou no seguinte, então tome muito cuidado nessa parte!!!
  • E o DS-2019, o que faço com ele? Fale com o seu advisor da LASPAU. Você vai precisar de uma assinatura válida (com menos de 1 ano) pra poder renovar o visto.
  • Mas meu DS-2019 não tem mais lugar pra assinar e preciso renovar denovo, o que faço? A LASPAU vai mandar um DS novinho em folha para você, fale com o seu advisor da LASPAU.
  • Posso renovar antes de viajar? Não. Você não consegue tirar visto dentro dos EUA.
  • Posso renovar em outro lugar que não o Brasil? Sim. Você pode renovar em outro país que ofereça esse serviço. Sabemos de casos de gente que renovou no Canadá, México. Informe-se caso tenha que viajar para uma conferência em outro lugar, por exemplo!

 

Se você tiver mais alguma pergunta, mande pra gente que colocaremos aqui na lista. Abaixo temos alguns pontos interessantes:

  • O site de agendamento foi atualizado, talvez você tenha que criar uma nova conta
  • Ná hora de agendar, não selecionar a opção CsF
  • O telefone de ajuda para o visto (ligando a partir dos EUA): 703-439-2340
  • Para agendar, use as opções 3 – 2 – 2 – 2 (vai até falar em português/portunhol com o atendente)
  • Se você é CsF, lembre de pedir autorização para a CAPES/CNPq!

Por hoje é só pessoal!

Doutorado no exterior: gerenciando o seu tempo

Hello, Abroader! Quanto tempo, hein? Pois é, a vida por aqui não está fácil, e é exatamente sobre isto o post de hoje!

Vou logo avisando que este é especial para os Abroaders que já estão no exterior, tentando sobreviver e fazer um doutorado ao mesmo tempo (serve para mestrado também, guardadas as devidas proporções, ok?). Será um post bem longo, vou avisando, mas pode valer a pena.

Então, como foi o seu dia hoje? Melhor, como tem sido sua rotina? Está dando conta de tudo ou acha que seu dia precisaria de pelo menos 72h? Vamos fazer uma pesquisa rápida e ver o que você responderia, sinceramente:

(  ) estou dando conta de tudo! As leituras e tarefas estão em dia, participo de todas as reuniões do grupo de pesquisa, cuido da burocracia, minha casa só vive impecável, estou malhando e cuidando da saúde e ainda sobra tempo para cozinhar e ler algo que eu goste todos os dias – e tenho uma vida social saudável;

(  )  meus estudos estão em dia, mas para isso abri mão da academia e o microondas virou meu melhor amigo! Saio quando dá, e quando sobra tempo no fim de semana passo um aspirador na casa;

(  ) cuido da casa e faço minha comida, mas meus estudos estão sempre atrasados em pelo menos uma matéria, e nem sei mais o que é malhar, muito menos vida social;

(  ) estudos em dia e academia também, e saio todos os fins de semana para tomar umas cervejas, mas minha casa está uma zona e estou vivendo de miojo;

(  ) já pedi meu Viratempo pelo Amazon e estou só esperando ele chegar…

Se você considera humanamente impossível marcar a primeira opção com sinceridade, desafio você a mudar alguns hábitos e repetir a pesquisa daqui a algumas semanas. Sim, estou dizendo que é possível dar conta de tudo. E sim, eu marcaria a primeira opção. Se eu consigo, vocês também conseguem!

Hoje, por exemplo, vou contar como foi meu dia: acordei, enrolei um pouco na cama (lógico), levantei, limpei o quarto, lavei roupa, estudei, fiz meu almoço (fiz, não esquentei), comi, lavei os pratos, tomei banho, saí de casa, estudei mais no escritório, fui à reunião semanal do grupo de pesquisa, estudei mais um pouco e fui para a aula de ritmos latinos, depois fui tomar um sorvete com uma amiga, voltei para casa, tomei banho, tomei café, estou aqui escrevendo este post para vocês e depois vou dormir. E se você acha que seu programa só pode estar muito mais puxado que o meu: eu tinha 562 páginas para ler, um teste online para fazer e um homework até sexta, outro homework para amanhã, estudar para um quizz também amanhã, mais 237 páginas para ler para segunda, além de pesquisar uma solução para aproveitamento de água da chuva no deserto “pra ontem” e pensar em alguma coisa para começar a minha pesquisa e apresentar daqui a três semanas. Claro, isto tudo (com exceção das últimas duas coisas) são para esta semana, e próxima semana tem mais. E amanhã ainda farei uma entrevista de emprego no campus, sugerida pelo meu orientador, e se eu passar tô lascada terei que arranjar 5-7h por semana para dedicar a isto.

Ou seja, não está fácil, não é fácil, mas estou dando conta de tudo mesmo assim… e por quê? Sou especial? Não. Também tenho muitas inseguranças, dúvidas, momentos de ansiedade, saudades, tristeza, tudo isso que vocês têm.

 

Mas é que meu viratempo já chegou!
Mas é que meu viratempo já chegou!

 

Mentira; na verdade, é que eu sempre tive muita facilidade de planejar e gerenciar o meu tempo. Por isso, resolvi escrever algumas dicas que podem ser úteis. São meio óbvias, mas às vezes esquecemos o óbvio, não é mesmo?

Vale ressaltar que eu vou dar dicas empíricas que funcionam para mim. Não pesquisei nenhuma metodologia de gerenciamento de tempo (uma vez, andei dando uma olhada no método GTD – Getting Things Done – , sobre o qual você pode encontrar algumas publicações neste blog, mas confesso que não levei adiante). Algumas dicas muito interessantes de sobrevivência durante os grad studies você pode encontrar também neste livro. Mas, novamente, as dicas que darei são minhas e mesmo que eu as use como verdade ou fale no imperativo, elas podem funcionar ou não para você. A ideia é ver com o que você se identifica e colocar em prática.

Vou dividir as dicas em:

  1. Dicas gerais

  2. Cuidando da casa

  3. A hora do almoço

  4. Organizando os estudos

  5. Atividades físicas em dia

  6. Seu momento de higiene mental

  7. Vida social

 

Pronto? Vamos ao que interessa.

  1. Dicas gerais 

 calendarioTo-do lists, calendários e agendas são itens indispensáveis. Acostume-se a usá-los. Mas cuidado para não exagerar ou você vai acabar se confundindo.

Não anote tudo o que você tem que fazer em vários locais separados: arranje um espaço para isto e carregue sempre consigo (pode ser um bloco/caderno). Use este instrumento para anotar apenas as tarefas que tem que completar. Depois, separe um tempo para organizar estas tarefas, distribuí-las em dias e planejar a semana que está por vir. Só precisa fazer isto uma ou duas vezes por semana, e ir ajustando sempre caso as coisas não saiam conforme o esperado.

Use um calendário mensal. No computador é bom, mas melhor mesmo são aqueles tipo quadro que você coloca na parede. Eu comprei um assim, nos EUA é bastante comum encontrar nas lojas de artigos para casa e escritório. O meu já veio com as divisões dos dias da semana e um espaço lateral para uma to-do list. É bom porque as informações ficam bem visíveis – coloque num lugar que você sempre veja, como próximo do seu computador ou no seu home-office, se tiver um.

Aprenda a usar sua agenda. Depois de separar as tarefas na sua semana e organizar datas importantes no mês, anote em cada dia da agenda o que você tem que fazer. Novamente, você pode fazer isso uma vez na semana e ajustar quando necessário. Você não vai perder tempo fazendo isso; pelo contrário, vai economizar um tempo enorme.

 

  1. Cuidando da casa 

Procure não acumular Limpezatodas as suas tarefas domésticas em um só dia (normalmente, o povo adora separar um dia no fim de semana a cada quinzena para fazer A faxina, né). Você vai se desgastar, e acontece que fins de semana são muito bons para estudar e relaxar um pouco. Ao invés disso, experimente fazer um pouco todos os dias. Eu juro que não vai tomar mais do que uma hora sua, de segunda a quinta (deixando sexta como coringa e livrando os fins de semana)! E olhe que moro sozinha, tenho a casa toda para limpar sem ajuda! Vou dar o exemplo de como eu faço, e você poderá ver também na figura que vou postar mais abaixo com o meu calendário semanal.

 

 

Segunda-feira:  passo o aspirador na casa toda;

Terça-feira: lavo o banheiro OU limpo a sala (alternadamente entre as semanas: cada um de 15 em 15 dias)

Quarta-feira: limpo o quarto OU lavo a cozinha e lavo roupas (eu lavo roupas toda semana, mas tem quem prefira fazer quinzenalmente)

Quinta-feira: faço mercado (ainda estou testando qual a melhor frequência para mim, mas separei a quinta para isso de qualquer forma)

Sexta-feira: coringa, ou seja, um dia de folga para algo que por alguma razão não pôde ser feito durante a semana.

 

Você deve montar o seu cronograma de acordo com sua conveniência (veja o que lhe toma mais tempo e o que lhe toma menos tempo, quais os dias que você tem mais/menos compromissos fixos e vá encaixando). O importante é não sobrecarregar um dia só, pois a tendência é que você acabe acumulando tudo neste dia, e enquanto ele não chega, viva num ambiente que lhe é pouco aprazível, bagunçado e pouco limpo. Outra coisa: se sujou, limpe. Se usar, guarde. Não acumule. Esta é uma maneira de deixar a casa sempre arrumada, e isso é especialmente importante se você estuda em casa. Mesmo se não estuda, veja bem, você está longe de sua família, de sua casa no Brasil, etc, é muito importante se sentir em casa, se sentir acolhido em um lugar prazeroso, limpo e organizado. E isso também lhe dará uma sensação de eficiência e autoconfiança: é muito bom admirar o que você é capaz de fazer!

 

  1. A hora do almoço 

Se você almoça em ccookingasa, ou se faz sua comida para levar para o trabalho, é importante incorporar o momento de cozinhar na sua rotina. Viver de microondas tem limites! Vai chegar uma hora em que você estará sacrificando sua saúde por causa de uma praticidade que pode custar caro.

Eu tenho feito minha comida todos os dias. Além de ser mais econômico, é mais saudável e muito mais prazeroso. Se você não suporta cozinhar, tudo bem, vai ter que procurar outra saída. Mas para aqueles que gostam, ou mesmo os que gostariam de aprender, vou dar uma dica: eu não sabia cozinhar também, e estou aprendendo graças a um blog muito bom chamado Segredos de Tia Emília, que tem vídeos acompanhando cada receita, e uma seleção de maravilhosa de pratos do mais básico ao mais sofisticado. Fato é que não me custa mais de uma hora e meia por dia entre cozinhar, comer e lavar os pratos, e já incorporei isso ao meu calendário e à minha rotina.

Dica de ouro (ou rule of thumb, como falam aqui): planeje o que você vai comer durante umas duas semanas. Eu fiz um cardápio para duas semanas baseado nas minhas compras de mercado e no tempo de preparo de cada refeição (as mais demoradas, deixei para o fim de semana, por exemplo). Tem gente que prefere cozinhar tudo no domingo e esquentar durante a semana, mas eu testei e preferi como estou fazendo agora. A comida fica mais saborosa e cozinhar se torna mais prazeroso – para MIM – quando eu não acumulo tudo num dia só. Às vezes fico ansiosa pelo momento de preparar meu almoço! Hehehe. Seja como for, planejar o cardápio é importante para não perder tempo nem no mercado nem antes de cozinhar. Já deu pra ver que planejamento é a chave de tudo, né?

 

  1. Organizando os estudos 

Antes de qualquer cstudyingoisa, certifique-se de que você tem um canto organizado para estudar. Se mora sozinho ou seus roommates são tranquilos, pode ser uma boa ideia ter um home-office (eu tenho). Se trabalha muito tempo em laboratório, talvez não precise. Se sua casa for um local onde é difícil se concentrar por qualquer razão externa, use o seu escritório da faculdade ou alguma biblioteca onde se sinta confortável, mas acima de tudo, tenha um bom lugar para estudar!

Eis como faço:

Primeiro, eu vejo quanto tempo tenho disponível para estudar, por dia da semana. Ex.: 6h na segunda, 8h na terça, 5h na quarta etc.

Depois, eu localizo os deadlines de cada tarefa: seja uma leitura, um homework, o que for. Organizo por prioridade de acordo com os prazos de entrega e depois vejo quanto tempo vou gastar fazendo cada tarefa. Isto é muito importante. Por exemplo: se vou ler 200 páginas para dia X, vejo qual o tempo médio que gasto lendo uma página (se você é como eu e faz resumo, leve isso em consideração) e multiplico pelas 200. Dou uma margem de segurança e distribuo isso nos meus horários semanais. Digamos que eu gaste 4 minutos por página, então precisarei de 800 minutos, o que dá um total de aproximadamente 13h. Eu sei que tem muitas páginas de gráficos e tabelas e que o tempo que gastarei é menor, mas não os desconto, e também não desconto índice, capa, referências etc, o que já posso considerar minha margem de segurança. Ainda assim, aproximo para 14 ou 15h e divido este tempo no tempo de estudo que tenho por dia. Parece muito, mas se você dividir seus dias em horas, verá que na verdade tem muito tempo para estudar por dia. Este é o nosso trabalho aqui, afinal!

Duas dicas: uma contra o Facebook e Whatsapp e uma contra a procrastinação. Primeira coisa, deixe o celular longe de onde você está estudando. Se não conseguir (eu não consigo), coloque no silencioso e olhe apenas de vez em quando, em pequenas pausas de quarenta em quarenta minutos, por exemplo. Contra o Facebook, resolvi meu problema recentemente.  Claro que se você for menos viciado ou mais disciplinado que eu, pode apenas desligar a wi-fi se sua tarefa permitir ou simplesmente fechar a janela para não cair em tentação. Como eu sempre abro a maldita aba novamente, tive que tomar outra providência: comprei um Kindle. Eu coloco meus pdfs no Kindle, sento numa poltrona (minha melhor compra ever) longe do computador só com o Kindle e um caderno na mão. Não cansa minha vista, não tem Facebook e minha produtividade aumentou 100%.

Contra a procrastinação: é útil você, ao final do dia, separar 5 minutos para listar como aproveitou as horas do seu dia. Anote o que fez em cada hora e veja seu progresso. Esta dica eu tirei daquele livro que linkei lá em cima. Eu não faço isso porque não sou procrastinadora, apesar de ser facilmente distraída por influências externas, mas se você tem esta tendência, seja sincero consigo mesmo e faça isso. É melhor que se culpar, se desesperar, etc, ou seja, fazer o que não resultará em nada. Você pode buscar ferramentas para melhorar isto, então melhore.

 

  1. Atividades físicas em dia

Todo mundo conhece aworkoutquele velho clichê “corpo são, mente sã”. Manter o corpo saudável é essencial para a sobrevivência por aqui, especialmente em condições adversas. Ajuda você a manter a rotina, aumenta a concentração, diminui os níveis de estresse, equilibra os hormônios (especialmente para nós, mulheres), principalmente se você estiver meio que num regime celibatário forçado (tamo junto), dentre muitos outros benefícios. Inclusive, tem um livro muito bom sobre isso.

Por todas estas razões, eu trato atividade física como saúde e prioridade. Pode ser complicado continuar sendo rato de academia aqui, e provavelmente você não vai poder gastar o mesmo tempo que gastava no Brasil se gostava muito de malhar, ainda mais se você for homem e gostar de cultivar os músculos, hehe. Mas para quem encara a malhação como saúde, menos horas de dedicação diárias são necessárias e acho que dá para encaixar na rotina perfeitamente.

O que eu fiz: aqui a academia da universidade é top de linha e “de graça”, mas não tem instrutores. Bem, por opção pessoal, resolvi me matricular nas aulas que eles oferecem. Escolhi cerca de uma aula por dia para fazer e distribuí na minha agenda semanal (veja na figura no final do post), normalmente de manhã cedo, o que também é uma estratégia para me ajudar a acordar e para regular minha rotina. Acordar e almoçar sempre na mesma hora é bom para acostumar o corpo e criar hábitos que nos ajudam a manter o tempo e tarefas sob controle. Se você gosta de correr, corra. Eu não faço isso (ainda) porque aqui no Arizona é um inferno de quente esta época do ano, e se eu correr 5 minutos, terei que voltar para casa de ambulância. Enfim, faça algo de que gosta e separe um tempo na sua rotina como prioridade. Pode não ser todos os dias, veja o que melhor combina com seus objetivos e possibilidades, mas não deixe de fazer alguma coisa!

 

  1. Seu momento de higiene mental

Se eu disser que tenho este momengame of thronesto todos os dias, estarei mentindo. Mas eu estou tentando e quero chegar lá. Por enquanto, tenho conseguido mantê-lo na maioria dos meus dias. O que é isso? Um momento só seu, que pode ser de uma hora, mais ou menos (funciona pra mim) em que você faça algo que você goste que não esteja relacionado necessariamente com seu trabalho/pesquisa aí. Isso ajuda muito a você limpar a mente, renovar as energias e dormir melhor. Pode ser assistir a uma série de que você goste, falar com um amigo no Skype (não vou falar de whatsapp porque, sejamos sinceros, nós acabamos usando esta droga o dia inteiro, haha) ou simplesmente ficar zapeando canais em frente à TV. Eu não tenho TV e nem me faz falta, diga-se de passagem, mas eu costumo dedicar os minutos finais do meu dia a dançar alguma música loucamente na minha sala ler um livro, tomando um café em minha poltrona (Jesus, tô velha). Isso me faz muito bem! Por sinal, estou lendo um livro simplesmente fantástico, para quem se interessar. Até Game of Thrones retornar em abril, claro. Aí terei que dar um jeito de comprar uma TV… hehehe.

Mas, enfim, isso me ajuda a dormir, e cuidar do seu sono é fundamental nesta história toda. Se você sai do computador onde estava lendo 300 papers e vai imediatamente deitar, é provável que fique ainda ligado ao seu trabalho e não consiga dormir tão cedo – ou pior, sonhe com os malditos papers!

 

  1. Vida social

partyTá, primeira coisa, acabou a farra. Isso você já sacou, né? Mas também não precisa se isolar ou se privar de vida social, que isso só trará más consequências a médio e longo prazo. Não vai dar pra liberar todos os finais de semana em tempo integral, garantir a cerveja-nossa-de-toda-sexta, perder muitas noites nos finais de semana e muito menos viajar pelos quatro cantos sempre que rolar um feriado. Mas você pode sim fazer tudo isso, ainda que em menor intensidade. Ainda que tenha que juntar dinheiro e programar um adiantamento nos estudos com antecedência para viajar num determinado feriado ou fim de semana do mês, ou que só saia com os amigos nas noites de sábado e nas tardes de domingo, mas não abra mão da sua vida social! Ela é tão importante quanto todo o resto, ainda que seu orientador às vezes lhe faça acreditar no contrário (felizmente, o meu é do babado e gosta de uma farra de vez em quando, haha). Em semanas especialmente estressantes, se permita um pequeno break de umas duas horas e vá tomar um sorvete e colocar o papo em dia, por exemplo (vixe, falei igual a revista para adolescentes, agora). Algumas pequenas pausas na rotina são tão essenciais quanto a própria rotina, ao meu ver! O importante é planejar, e guardar algumas cartas na manga – ou seja, algumas folgas no cronograma para permitir estas pequenas escapadas ou outros imprevistos.

 

Meu cronograma

Então, como eu disse, aí vai o cronograma semanal que estou seguindo aqui, e que tem dado certo! Claro que já fiz muitos ajustes e continuarei fazendo sempre que achar necessário. A ideia é continuar melhorando sempre!

meu cronograma
Usei vermelho para as aulas da academia, amarelo para as aulas da universidade, verde para o tempo livre de estudo, lilás para as tarefas de casa e o azul para a hora do almoço (tentei manter igual todos os dias). Não incluí os finais de semana porque prefiro deixá-los livres para preparar de acordo com a demanda de cada semana – e do que surgir em termos de lazer!

 

É isso, gente. Para quem teve paciência de chegar até aqui, espero ter ajudado em alguma coisa. E aí, deu uma luz no assunto? Me dê seu feedback para eu saber se ajudei ou no que posso melhorar!

No mais, boa sorte a todos, KEEP CALM, sem desespero, que você CONSEGUE dar conta de tudo. Não se cobre demais, seja tolerante consigo mesmo, é tudo um aprendizado contínuo.  Qualquer coisa, grita… e até a próxima!

 

 

Recebi o DS-2019, e agora? Como tirar o visto J-1 para os EUA

Olá, galera!

Este post de hoje vai para a turma que já se inscreveu para uma pós-graduação nos EUA, já passou, e em breve vai tirar o visto J1 para intercâmbio. Muitas informações também servirão para o visto F1, por exemplo; então, se o seu visto não é o J1, filtre as informações que são comuns ao procedimento para o seu tipo.

Então: você estava tendo crises incontroláveis de ansiedade e deixando os colegas malucos nos grupos do Facebook até que ele chegou. No único minuto do dia em que você esqueceu a existência do seu DS-2019, seu celular notifica o recebimento do tão esperado e-mail. Aí você vai lá, abre, olha, ahã, olha de novo, se belisca, até que pensa: OK, VAMOS AGENDAR LOGO ESTE VISTO. Desce a roletinha (eu sei que tem um nome, mas chamo de roletinha, licença) atrás de instruções, mas… nada.

Como assim? Não vou receber um passo a passo por e-mail???

Bem, provavelmente não, mas talvez este post consiga esclarecer algumas dúvidas do processo. VOU AVISANDO QUE SERÁ LONGO (até porque você vai precisar de umas boas horas para dar conta de toda a burocracia necessária – fica a dica).

PRIMEIRA FASE: PAGANDO A TAXA SEVIS

1. Entre neste site. Tenha em mãos seu formulário de visto (Form I-20 ou DS-2019 – vou me basear neste último), um cartão de crédito, e sangue frio para pagar pelo menos U$180 (dólares). 2. Procure e clique nesta opção:

sevis option fill 3. Selecione o tipo de formulário que você tem em mãos, dependendo de qual será o seu tipo de visto;sevis form op 4. Você vai encontrar a seguinte tela. Nela, escreva seus dados exatamente como aparecem no seu formulário (neste caso, vou falar do DS-2019, que foi a opção que marquei previamente). No SEVIS IDENTIFICATION NUMBER, insira o número que aparece no canto superior direito do seu DS-2019. Ele estará no formato N XXXXXXXXXX.

applicant validation info sevis

5. Em determinado momento, você vai ter que preencher um campo chamado EXCHANGE VISITOR CATEGORY. Atenção aqui! Por mais que você se sinta tentado em marcar a opção em que mais se encaixa, olhe no seu DS-2019 qual a opção que está escrita lá. No meu, estava escrito “Student Doctorate”. Então, marquei a opção “Student (college/university) $180”.

6. Ao final (não vou falar do processo INTEIRO com imagens porque não é necessário, vou pontuar as partes mais importantes e as que acho que podem gerar dúvidas),  após colocar os dados do seu cartão de crédito* , você vai ver a seguinte tela: CONFIRMATION PAYMENT SEVIS Clique em PRINT PAYMENT CONFIRMATION, imprima uma cópia física e salve uma em pdf. Você vai precisar da cópia física no dia da sua entrevista no Consulado. *o meu MasterCard não foi aceito e tive que usar o American Express, então por via das dúvidas tenham dois em mãos.   Pronto, seu SEVIS foi pago. Hora de partir para a segunda (e mais demorada) fase.

SEGUNDA FASE: PREENCHENDO O DS-160

1. Entre neste site. Separe ALGUMAS HORAS (sério). Tenha em mãos:

  • seus passaportes (novo e antigos);
  • suas datas de viagens anteriores aos EUA (se lembrar, senão pode estimar);
  • seu DS-2019;
  • seu comprovante de pagamento do SEVIS;
  • o endereço de onde você vai morar nos EUA (“ai, meu Deus, e se eu não tiver endereço ainda??” Não sei, jovem. Eu daria o endereço da universidade… mas faça o que achar mais conveniente);
  • o endereço da sua universidade (com CEP e telefone);
  • o seu currículo (você vai precisar preencher dados de seus empregos nos últimos 5 anos);
  • o nome/telefone/endereço/CEP/e-mail de um contato nos EUA* e;
  • o nome/telefone/endereço/CEP/e-mail de dois contatos no Brasil.

*Para os grantees da LASPAU: eu coloquei aqui o contato do meu Placement Specialist.

 

2. Antes de fazer qualquer coisa, dê uma lida nestes links à esquerda (marquei sutilmente com uma discreta seta). Depois, preencha a lacuna com a cidade onde agendará sua entrevista. Por fim, selecione Start an Application (nada óbvio).

0

3. O formulário é longo e possui várias sessões. Você terá a opção SAVE  ao final de cada página e eu sugiro que a use (salve sempre, especialmente se sua internet não for das melhores, porque depois você poderá retornar ao site com o application ID que receberá logo no início e retomar de onde parou). Toda vez que salvar, verá a tela abaixo e poderá clicar em “continue application” para prosseguir.4 3. Você vai passar ileso pelas questões sobre seus dados pessoais, é claro. Então, na sessão de Travel Information, vai se deparar com uma que pergunta: Quem está pagando a sua viagem?? Aqui, a dica é: confira seu DS-2019. Olhe no item “Program Sponsor” e veja quem está lá declarado como patrocinador. No meu caso, por exemplo, é a LASPAU, então eu preenchi esta tela assim:

3

 

4. A sessão Work/Education/Training é um saco, digo logo. Eles pedem para você preencher com os seus empregos nos 5 últimos anos. Serão aquelas informações chatas como  período de trabalho, endereço, telefone, nome do chefe (pode rezar para eles não ligarem), suas funções etc. MAS ANTES eles perguntam sua ocupação atual. Bem, eu e 80% da galera que conheço na minha situação já largamos o trabalho e estamos desempregados (no meu caso em particular, tô num freela temporário que daria mais trabalho explicar que considerar que estou desempregada e pronto). AÍ, AMIGO, ELE PEDE PRA VOCÊ EXPLICAR. Sim, exatamente deste jeito: EXPLAIN.

Putz, Bro, isso é fucking humiliating, tá ligado? Tipo, explique porque você tá desempregado nessa p****!

Também acho, mas… fazer o quê. Explique sua zorra. Eu joguei o seguinte migué:

job

5. Agora vem a sessão de que mais gosto.  Security and Background ❤. Aqui, você basicamente terá que responder se é ou pretende ser terrorista, drogado* ou prostituído, e coisas do gênero. Ah, eles também querem saber se você é amigo, filho, primo de 23º grau ou vizinho de algum terrorista, drogado ou prostituído.

*Não, jovem, graças a Jah eles não te perguntam se você dá um tapa na pantera de vez em quando, ou PELO MENOS eu interpretei que não, rs.

Dêem uma olhada em um trecho de uma das 5 (cinco) partes desta belezura:

secutiry

É tentador, mas não responda Yes, tá bom? Eu mesma morri de curiosidade para saber se, ao responder Yes para esta última, por exemplo, iria aparecer um campo para eu colocar o meu nome de terrorista-ultra-secreta-que-estava-tentando-tirar-o-visto-para-os-EUA-pelos-meios-convencionais. Não testei pra saber. 🙁

6. Aí pronto, galera, mais alguns passos chatinhos e vocês chegarão na última sessão, a do SEVIS.

SEVIS INFO FINAL DO DS160

O SEVIS ID é o mesmo número que você encontrará no seu DS-2019, naquele canto superior direito. O Program Number está também no DS, neste mesmo formato que está na imagem acima. Agora, faltou a pergunta final!

Você pretende estudar nos EUA?

(suspense)

Ai, não sei. Será? ¬¬’ Não, cara, eu até passei num tal de doutorado aí numa universidade massa e tals, mas eu vou mesmo é ser surfista na Califa e viver de fotossíntese B) Vou embora da Babilônia, tá ligado?

(nada contra, mas existem meios menos penosos de se conseguir essa vida)

Ao final de tudo, você revisa o formulário, coloca a assinatura eletrônica, salva em pdf, imprime uma cópia, manda para o seu e-mail, enfim. Faz o escambau para ter tudo guardadinho. E passa para a próxima fase!

 

TERCEIRA FASE: FICANDO UM POUCO MAIS POBRE E AGENDANDO O SEU VISTO (FINALMENTE!)

1. Entre neste site. Aqui você vai pagar a última taxa (esperamos), chamada MRV, que pode ser de U$160 ou R$368, depende se você vai pagar no cartão de crédito ou boleto bancário, respectivamente. Clique em criar uma conta ali na aba superior e vá em frente. Não é nada complicado, você escolhe as opções referentes ao seu tipo de visto* e ao local onde vai tirar, coloca algumas informações e faz o pagamento. Quando o pagamento for concluído, você poderá agendar as datas para entrevista e coleta de dados biométricos/foto. Note que são duas datas, você agenda uma e depois a outra (tem que rezar pra ter duas datas próximas e não ter que reagendar uma delas depois).

*Caso o seu seja o J1, tem duas opções: J1/J2 e J1/J2 Ciência sem Fronteiras. Os bolsistas do CsF tendem a clicar na segunda opção, mas é muito provável que apareça uma mensagem dizendo não haver datas disponíveis para a entrevista. Um dos nossos leitores recebeu informações por e-mail do Consulado, e eles informaram que bolsistas do CsF podem agendar pelo J1 comum, já que o “J1 Ciência sem Fronteiras” só abre para grandes grupos. Eles dizem fazer a separação lá mesmo, no local. Então, não se preocupe!

Pronto para a última fase?

 

O CHEFÃO, só que não: O DIA DA ENTREVISTA

Veja a nota abaixo sobre O QUE LEVAR NO DIA DA SUA ENTREVISTA. Leve passaporte original e Ds-2019 também original, além de cópias de tudo. Também leve o comprovante de pagamento da taxa MRV e da SEVIS, e comprovante de agendamento dos seus horários com código de barras visível. what to take with youNote que “any additional documents” podem incluir:

extratos bancários, carta de aceite da universidade, carta da CAPES, passaportes velhos, documentos, e principalmente qualquer coisa que comprove que você tem vínculo com o Brasil e que seja um motivo para querer voltar para cá: certidão de nascimento/casamento, comprovante de endereço, contra-cheques, comprovantes de endereço de familiares que moram aqui (e se eles tiverem visto pros EUA, vale a pena levar uma cópia do passaporte deles também), carnês de IPTU/IPVA, título de eleitor… E como somos estudantes, vale levar comprovação de que você realmente sabe estudar: históricos e currículo acadêmico.”

Esta é a dica de Érik Amorim, que também está indo fazer doutorado nos EUA este ano, com visto I-20 e bolsa da Universidade. Segundo ele, as cópias podem ser todas simples e não precisa levar nada relativo a passagem e a seguro de saúde. Érik já tirou o seu visto em São Paulo e também compartilhou como foi esta experiência:

Não pode entrar no CASV e no consulado com NADA ELETRÔNICO – celular, mp3, foninho. E não tem lugar para guardar lá, a não ser que você queira pagar caro para deixar num armário porcaria de um estacionamento privado que tem lá perto. Então não levem essas coisas! Mas levem um relógio de pulso, lá dentro vc vai querer ver as horas, mas não tem nenhum relógio por perto e ninguém tem celular! Eu estava com uma mochila apenas. Precisei ser revistado, mas entrei com ela.

O CASV é só para colher digitais e tirar foto. Foi tranquilo, eu cheguei uma hora antes do agendado mas eles me atenderam mesmo assim. Não levou nem 20 minutos. Já no consulado, 3 horas de fila, e é bom chegar com antecedência. Lá dentro tem até lanchonete. Na verdade é fila para a fila para a fila. Fila para entrar, fila para passar na segurança, fila para entrar na fila das entrevistas, fila das entrevistas. Leve um livro, ou escreva um por lá.

Aqui em SP pelo menos, a entrevista acontece no mesmo salão onde estão todas as 500 pessoas na fila. Você fala com um funcionário atrás de um guichê de vidro, enquanto o cara que está atrás na fila escuta toda a conversa, e o burburinho atrapalha bastante a comunicação… Mas segue abaixo a minha “entrevista” completa:

– Bom dia, qual o propósito da viagem?
– Bom dia. Vou fazer o Doutorado nos EUA.
– Deixe-me ver seu I-20. Quem vai bancar o curso?
– A universidade.
– Are you looking forward to studying there? How’s your English?
– Yes, of course. I hope it is fine.
– I’m sure it is. Seu visto foi aprovado, parabéns!
– Ahn… obrigado?
– De nada. Próximo!

Ele nem quis olhar a tonelada de documentos que eu preparei com tanto carinho! Apenas usei: comprovante de agendamento no CASV, I-20 e comprovante SEVIS no consulado, passaporte nos dois. Mas… é bom levar o resto também, por via das dúvidas!

Daqui a 10 dias vai chegar pelo correio o passaporte com o visto. E é isso! Boa sorte a todos, e nos vemos nos isteites!

Para quem vai fazer em SP: O CASV Vila Mariana é mais ou menos acessível da estação Santa Cruz do metrô, uns 25 minutos de caminhada preguiçosa. O Consulado fica bem perto da Avenida Santo Amaro, que tem um corredor de ônibus indo até a Paulista.

That’s all, folks!! Boa sorte a todos! 

 

 

E-book: GRE Detonado!!! Todas as dicas para você vencer este chefão!

Boa noite, #teamAbroaders!!!

Vamos falar sobre GRE?? É um daqueles exames necessários que você tem que fazer para conseguir sua pós-graduação em alguns países (como os EUA, por exemplo). É bastante importante e pode ser o seu pior pesadelo ou um excelente critério de desempate – ao seu favor! Tudo depende de como você se prepara para ele.

Quer saber mais?

Temos um e-book saindo do forno para vocês!!

Baixe o GRE Detonado clicando na imagem acima!
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Enviando documentos: diplomas, transcripts, traduções juramentadas e o tal do coversheet form

O MINISTÉRIO DO BOM SENSO ADVERTE: as dicas a seguir foram escritas com base no processo de doutorado pleno pelo Ciência sem Fronteiras, para os Estados Unidos da América, por intermédio da LASPAU. Porém todas elas podem servir para outros candidatos a outros processos e, naturalmente, com outros destinos.

[Um post de Livia Palmerston e Nanda Cruz Rios]

Seja você candidato a uma pós-graduação pelo Ciência sem Fronteiras ou não, certamente chegará o momento de enviar seus documentos para os órgãos competentes. No caso de quem vai para os EUA pelo CsF, por exemplo, este órgão é a LASPAU. Caso você vá para a Austrália, o Latino Australia Education; no caso da Holanda, o órgão parceiro é o NUFFIC, e assim por diante. Cada processo tem suas regras e prazos específicos, mas via de regra todos nós teremos que enviar nossos documentos – seja para os órgãos, seja para as universidades (no caso de uma candidatura independente).

Dentre os documentos obrigatórios solicitados para envio normalmente estão o diploma de graduação e mestrado, o histórico escolar de todas a disciplinas cursadas em cada graduação e suas respectivas traduções juramentadas. E por favor, não me vá enviar seus diplomas e históricos originais. São solicitadas cópias certificadas desses documentos. Então, vamos por partes.

Diploma

Caso você ainda não tenha concluído a graduação ou o mestrado, você pode solicitar na universidade, provavelmente na coordenação do curso, um termo que declara que você está cursando as disciplinas e irá concluir o curso no período X, sendo que este período, obviamente, deve ser prévio ao início do mestrado/doutorado. Se já estiver formado e possuir os diplomas originais, daí você deve utilizá-los. Fique atento ao número de cópias exigidas para cada documento. Se, por exemplo, o órgão parceiro ou a universidade solicita duas cópias de cada documento, cuide para que você envie ambas as cópias certificadas¹.

De novo: nada de enviar os seus diplomas originais, jovem. E se já tiver feito isso não conte a ninguém, a não ser que queira virar motivo de piada entre alguns coleguinhas menos solidários, que acompanharão seu desespero comendo pipoca (eu faria isso, não vou mentir).

Histórico escolares ou transcripts (é a mesma coisa, só para constar)

No caso da não conclusão do curso na época do envio, deve ser feito praticamente o mesmo procedimento dos diplomas. Você solicita o histórico incompleto e novamente faz as cópias e certifica uma por uma¹ (já vamos falar sobre isso). Se já concluiu o curso, deve ter o histórico em mãos (se não tiver, peça na universidade), então é só seguir as mesmas orientações.

Mas o que é esta certificação, afinal?

¹ É um processo bastante simples para quem tem fácil acesso à Universidade que emitiu o diploma. Por que isso? Porque basta se dirigir à secretaria ou coordenação da Universidade com os documentos (diploma e histórico – originais e cópias) em mãos e solicitar ao funcionário responsável que carimbe e assine atestando a “conferência com o original”. Normalmente isso pode ser feito em poucos minutos, dependendo da boa vontade dos envolvidos.

Poxa vida, minha Universidade fica em outro estado. Posso enviar uma cópia autenticada em cartório desses documentos?
Poxa vida, minha Universidade fica em outro estado. Posso enviar uma cópia autenticada em cartório desses documentos?

Bem… não. Infelizmente, não pode. A autenticação no cartório não vale para universidades. Parece estranho, mas uma assinatura de um funcionário da universidade atestando que a cópia confere com o original conta mais que autenticação em cartório. Na verdade, só ela é válida (sabe-se lá por que razão, mas não estamos aqui para contestar o sistema). Então, se você mora em uma cidade ou estado diferente de onde se formou, temos uma má notícia: você terá que viajar para certificar suas cópias. Ou pedir a alguém, ligar, chorar, dar um jeito: o fato é que a Universidade tem que carimbar o diabo das cópias, e ela tem que fazer isto olhando para os documentos originais.

Traduções juramentadas

Uma tradução juramentada é uma tradução pública, feita pelo chamado tradutor juramentado. Ele é um intérprete comercial habilitado em um ou mais idiomas estrangeiros e português, nomeado e matriculado na junta comercial do seu estado². Somente a tradução juramentada é reconhecida oficialmente pelas universidades nos EUA – e provavelmente nos outros países também, cheque direito os documentos necessários junto às universidades e/ou órgãos parceiros que estão intermediando sua candidatura.

² A junta comercial do seu estado vai lhe fornecer os nomes, endereços e telefones dos tradutores juramentados disponíveis. Dê um Google em “junta comercial nome-do-estado” e procure a aba/link “tradutores”. O preço é tabelado.

A tradução juramentada é necessária e já adianto que vai doer no bolsoAlém de ser onerosa, em alguns casos de órgãos parceiros como a LASPAU, a tradução original deve ser enviada por correio. Logo, se você estiver se candidatando de modo independente para outros países e outras universidades, terá que enviar mais de um documento original de tradução, o que significa gastar o dobro, o triplo, o quádruplo… etc, dependendo de para quantos lugares terá que enviar. Você já deve ter percebido que a vantagem de um órgão parceiro intermediar sua candidatura é que, dependendo das regras do jogo, você só precisa enviar uma tradução original e eles se encarregarão de realizar as cópias certificadas por eles próprios e distribuir entre as X universidades para as quais você está se candidatando.

“Ah, mas eu não posso pedir pra um amigo traduzir e levar na universidade pra eles conferirem e certificarem?”

Não.

“Posso pedir para o tradutor da Universidade traduzir e certificar?”

Não.

Ah, dane-se! Eu mesmo vou traduzir e vou dar um jeito de certificarem! Posso fazer isso, não posso?
Ah, dane-se! Eu mesmo vou traduzir e vou dar um jeito de certificarem! Posso fazer isso, não posso?

Não, você não pode. Nem você, nem seu amigo, nem seu professor de inglês, nem o tradutor da sua Universidade, nem mesmo o papa pode. A não ser que a própria universidade emita o documento oficial já em inglês, nenhuma certificação é válida.

NO ENTANTO, SABE QUEM PODE? A EDUCATION USA!

Gente, ó, dica de mestre, viu. O EducationUSA faz o serviço de traduções por e-mail! Isso é especialmente útil para aqueles que moram em cidades onde não tem tradutores juramentados disponíveis (sim, corre este risco). Se você mora em Jericoatinga do Caboaté, por exemplo, não terá que ir até a capital do seu estado (que neste caso, é fictício, hahaha) numa verdadeira saga em busca do tradutor perdido. Cliquem neste link e vejam como funciona!

Outros documentos e certificados

Se você possuir alguma outra especialização que irá contribuir no seu processo seletivo, os documentos referentes a esse curso também poderão ser enviados seguindo as mesmas instruções quanto às cópias, certificações e traduções juramentadas. Vale ressaltar que só será válido curso ou especialização que tiver lhe conferido um diploma, de preferência com notas. Mini-cursos, escolas, workshops, etc, que geralmente fornecem um certificado de participação, não são relevantes neste caso. No entanto, eles podem constar no seu currículo.

Opções de envio dos documentos

Finalmente, para o envio, você terá algumas opções, que irão variar no preço e na disponibilidade do serviço prestado na sua região. Gente, vejam bem, percebam que estamos falando do envio dos documentos físicos. Esqueçam envio digital neste caso (claro que você vai mandar por meio digital ou físico aquilo que lhe for instruído; neste tópico, porém, vamos tratar do envio físico, que é o que gera dúvidas).

É sugerido pela LASPAU, por exemplo, que o envio seja realizado por FedEx, UPS ou EMS, por se tratar de companhias confiáveis e disponibilizar o rastreamento da mercadoria. A FedEx tem até um sistema de agendamento, onde eles passam na sua casa para retirada da mercadoria, caso não haja um posto em sua cidade. Sedex Mundi e DHL, entretanto, também podem ser utilizados para o envio com resultados confiáveis, a escolha é sua.

Só faça este envio com antecedência para garantir que a documentação vai chegar em tempo hábil nos EUA. Uma dica para economizar é juntar dois ou mais candidatos, marcarem uma data quando todos estiverem com a documentação completa em mãos e colocarem seus envelopes juntos na caixa de envio. Fica mais em conta e vocês podem ainda marcar um happy hour depois!

… e o que é o coversheet form?

Ahh, o famoso coversheet form é na verdade uma piada interna dos candidatos ao doutorado para os EUA pelo Ciência sem Fronteiras / LASPAU. O que aconteceu foi que a LASPAU inventou de colocar entre os documentos solicitados um tal de “coversheet form”. Pronto, instaurou-se o pânico generalizado. Que diabos era isso?? Por meses, esta pergunta aparecia nas redes sociais, até muito tempo depois de já ter sido respondida pelo menos 397 vezes. Bom, coversheet form nada mais é que um check list que você anexa como capa de toda documentação que é enviada pelo correio para o escritório da LASPAU. Esse check list é fornecido pela própria instituição e você o imprime e marca ali os documentos que estão no envelope. Ou seja: era APENAS uma folha de papel com uma lista de documentos e quadradinhos para pintar de acordo com o que você estivesse enviando. Com certeza, todo processo tem coversheet form da vida, que vai virar piada passado o desespero…