O que é (e o que não é) um doutorado!?

Recebemos muitas perguntas sobre como é a experiência de fazer um doutorado, como é a rotina, demandas de trabalho, etc. Esse post é uma tentativa de responder tais dúvidas e esclarecer de vez o que é e o que não é um doutorado no exterior.

Vale ressaltar que a rotina de alunos de doutorados em Exatas, Biológicas e Humanas varia. A rotina descrita aqui corresponde a rotina de um aluno em Humanas ou Ciências Sociais. Aguarde posts futuros sobre a rotina do doutorado em outras áreas de estudo.

Primeiro: doutorado não é curso de inglês que você vai duas vezes por semana e faz lição de casa uma hora antes de ir para a aula.

Segundo: doutorado não é ensino fundamental onde você  tem aula das 7:30  até  13:00 da tarde, estuda uma hora por dia e passa o resto do dia assistindo Sessão da Tarde e Malhação.

Terceiro: doutorado não é ensino médio onde aquele professor vai te cobrar todo dia o conteúdo da matéria e a tarefa do dia. Ninguém irá te cobrar nada, mas ainda assim esperarão muito de você.

O que é, então, um doutorado?

Na realidade, um doutorado no exterior exige dedicação integral, de oito a dezesseis horas por dia de estudo, incluindo sábado, domingo e feriados. Durante os dois ou três primeiros anos, um aluno de doutorado precisa cursar uma certa quantidade de matérias e obter os devidos créditos. Essa quantidade varia por programa e por área de estudo. Contudo, nos Estados Unidos, alunos estrangeiros precisam cursar no mínimo 12 créditos (normalmente quatro matérias) por semestre para ser considerado aluno em tempo integral.

Ou seja, nesses primeiros anos, grande parte da sua carga de trabalho será focada em atender os requisitos das matérias que você está cursando. Isso envolve muita leitura (de certo uma média de  100 páginas por semana por matéria – mínimo de 400 páginas por semana), escrever relatórios e textos sobre o conteúdo lido, responder perguntas ou fazer exercícios práticos. Nos Estados Unidos, é esperado que o aluno se prepare para a aula e venha com o conhecimento necessário para discutir o tópico.

Participar em discussões em aulas faz parte de como professores americanos avaliam os alunos. Ou seja, se você vai para a aula sem estudar antes, é muito provável que não terá bom aproveitamento na matéria. A grande maioria de programas de doutorado possui exigências mínimas de aproveitamento em matérias. Estudar MUITO é uma condição sine qua non para fazer um programa de doutorado no exterior.

Mas calma… Isso não é tudo. Além da gigantesca carga de trabalho que as matérias exigem, alunos de doutorado também precisam se dedicar a sua própria pesquisa, desenvolver o seu projeto de pesquisa. O projeto de pesquisa deve ser um detalhado plano do que será a sua pesquisa, qual a fundamentação teórica utilizada, qual será a contribuição original que tal pesquisa irá prover e sua relevância para a área de estudo, quais resultados espera obter, e qual metodologia será desenvolvida para chegar em tais resultados. Cada programa possui seu timeline em relação a quando esse plano precisa ser desenvolvido, apresentado e aprovado. Normalmente isso deve acontecer ao finalizar as matérias cursadas. Porém, tal timeline varia de programa para programa.

De qualquer maneira, se preparar para escrever e, realmente escrever o plano de estudo requer uma carga de trabalho que, na verdade, é dificil de descrever. É trabalho PRA CARAMBA. Muita pesquisa, leitura, resumos e tentativas de elaborar um plano de pesquisa que seja viável e relevante ao mesmo tempo. Detalhe que isso ainda não é a pesquisa em si, mas o planejamento do que será a pesquisa e como essa será realizada de maneira efetiva.

Mas calma… Isso não é tudo. Além das matérias e do plano de pesquisa, há ainda o exame de qualificação. Como todos os outros itens, a timeline do exame e o formato dele variam de acordo com área de estudo e programa. Tentarei resumir de forma sucinta o que raio é esse exame: imagina você ter que provar que já estudou o suficiente sobre a sua área de conhecimento para poder ensinar outros e ser considerado uma autoridade em tal área. Em outras palavras, é trabalho PRA CARAMBA .

Mas CALMA… Isso AINDA não é tudo. Caso o seu orientador tenha um laboratório, além de tudo o que eu já descrevi, você provavelmente terá que trabalhar algumas horas do dia no laboratório, na sua pesquisa ou em colaboração para outros projetos.

Depois de todo esse trabalho, você terá que colocar em prática o plano de pesquisa durante os últimos anos do doutorado. Nesse período, o tipo de trabalho de cada doutorando varia muito de acordo com o tipo de pesquisa e metodologia desenvolvida. E ainda escrever a tese apresentando o processo e resultados da pesquisa (que é basicamente um livro).

Agora você deve estar pensando que acabou, certo? ERRADO. Além de matérias, plano de pesquisa, exame de qualificação, laboratório, doutorandos ainda precisam se preocupar em frequentar conferências e publicar artigos a fim de divulgar o seu trabalho e ter uma chance de arrumar um emprego.

Além de tudo isso, a gente ainda tem que comer, tomar banho, dormir, enfim… viver.

É trabalho PRA CARAMBA, sem vale refeição, férias, décimo terceiro, ou salário, pra falar a verdade. Bolsa de estudos não é salário. Bolsista não lucra com bolsa de estudos. Bolsa de estudos é um dinheiro mínimo para pagar aluguel, contas básicas e comer. Mas esse já é tema para um outro post…

Bolsistas de doutorado no exterior aguardam decisão da Capes há mais de cinquenta dias e podem ficar sem recursos para necessidades básicas

 

Graças ao descaso do Governo Brasileiro com o futuro da ciência no país,  seus impostos estão indo pelo ralo – em dólar

Amigos, já faz um tempo que não publicamos nada. É uma pena que estejamos de volta com esta postagem em particular, mas agora somos nós que precisamos da ajuda de vocês. Por isso, hoje não tem piada, nem brincadeira, nem bom humor. Hoje o assunto é sério. Vamos lá.

 

Nós somos estudantes de doutorado pleno nos Estados Unidos pelo programa Ciência sem Fronteiras. Quem cuida das nossas bolsas de estudo é a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que faz parte do Ministério da Educação (MEC).

 

Nós recebemos uma bolsa de estudos de duração máxima de 48 meses, a ser renovada anualmente sob pedido do estudante. Todos os anos, fazemos o pedido de renovação junto à CAPES três meses antes do início do novo ano letivo e enviamos os documentos necessários (formulários, relatório de desempenho, e pareceres dos orientadores). Esta etapa ocorre normalmente até o mês de Abril, para os doutorandos que iniciam o período acadêmico em Agosto, ou em Maio para os que pesquisam em universidades onde o ano letivo tem início em Setembro.

 

É importante ressaltar que os estudantes não são autorizados a fazer esta solicitação com antecedência maior que os três meses, conforme orientado pela CAPES.

 

Este ano porém, até a data de hoje, muitos bolsistas ainda se encontram sob a expectativa da renovação. A situação é especialmente preocupante para muitos de nós porque a última trimestralidade recebida pela CAPES se encerra no próximo mês, Julho de 2016. Sendo assim, caso algumas bolsas não sejam renovadas, dificilmente teremos tempo hábil para solicitar recurso e/ou auxílio dos departamentos de pesquisa locais antes que nossos recursos financeiros se esgotem.

 

Estamos, portanto, a um mês e meio do esgotamento do nosso financiamento atual e ainda sem ter conhecimento sobre o rumo que tomarão os nossos processos no próximo ano. A resposta que obtivemos da CAPES quanto a este atraso é que, segundo o Manual do Bolsista (que a propósito vem sofrendo modificações constantes sem notificar os estudantes), as nossas solicitações devem ser enviadas com 90 dias de antecedência para que haja tempo hábil para a avaliação por parte da CAPES (como fizemos). Segundo a Auxiliar Administrativa da CAPES informou os bolsistas por e-mail, isso significa que a CAPES terá até o início do próxio ano letivo, ou seja, até o esgotamento total do nosso salário trimestral, para emitir um parecer sobre a renovação das bolsas. A auxiliar não aprofundou a resposta ou investiu esforço algum para entender a situação dos estudantes ou averiguar o que poderia ser feito. Isso, aliás, é uma marca da comunicação da CAPES com os bolsistas: a maioria dos e-mails de resposta limita-se a transcrições de trechos do Manual do Bolsista e não há nenhum esforço por parte da agência do Governo em avaliar as solicitações caso-por-caso (falaremos mais sobre isso na próxima publicação).

 

Diante disto, eu lhe pergunto: você sabe o que acontece se a renovação de uma bolsa for negada?

 

Neste caso, o estudante pode 1) entrar com um recurso em até 10 dias e aguardar a nova decisão da CAPES, 2) pedir auxílio ao departamento de pesquisa na Universidade no exterior para tentar um financiamento pela Universidade, ou seja, uma bolsa de estudos independente do Ciência sem Fronteiras, CAPES, Governo Brasileiro, ou 3) aceitar a decisão da CAPES sem recorrer, abandonar o doutorado no meio do caminho, e retornar ao Brasil em até 30 dias contados a partir da decisão da CAPES.

 

Agora, me diga: se tivermos a renovação da bolsa negada, com que recursos o Governo espera que possamos ficar e tentar resolver a nossa situação (leia-se entrar com o recurso ou pedir ajuda à Universidade)?? Como vamos pagar aluguel, alimentação, e contas durante este período de espera do resultado final, ao qual temos direito??

 

Ao mesmo tempo, temos notícias de que alguns estudantes estão tendo seus pedidos de renovação negados, sob justificativas gerais e supérfluas em pareceres que não são sequer assinados por um consultor. Há consultores alegando pouco potencial de inovação em projetos já aprovados pela CAPES e renovados em anos anteriores! Outros ignoram completamente os pedidos de alunos, apesar de excelentes desempenhos acadêmicos, comprovados por histórico escolar, relatório de atividade e recomendação de professores.

 

As consequências deste descaso do Governo Brasileiro não param aí. Primeiro, lembramos que nós, bolsistas, investimos nosso tempo e recursos no processo de admissão ao doutorado (estamos falando de muitos meses e alguns mil reais), para que tivéssemos nossos estudos financiados pelo Governo Brasileiro com a contrapartida de retornarmos ao país para devolver o conhecimento adquirido. Vamos deixar claro: o Governo investiu em nós, o que é diferente de fazer um favor. Portanto, a não renovação de bolsas por motivos como os que citamos aqui é a perda deste investimento.

 

Segundo, por causa desta falta de respeito que o Governo vêm demonstrando com os bolsistas, muitos de nós já estamos cogitando buscar apoio das Universidades para que nos mantenham como bolsistas independente da CAPES. O que isso significa? Que muitos bolsistas estão optando por cancelar seus contratos com o Governo e pagar de volta o valor investido com juros e correção monetária para não ter que conviver com este tratamento que nos é dado pela CAPES. Em outras palavras, bolsistas estão escolhendo devolver o investimento brasileiro e aplicar o conhecimento adquirido no país que os acolheu e os levou a sério. Justiça seja feita, um doutorado (ainda mais longe de casa, família, e amigos) já acrescenta uma carga considerável de estresse na vida de um estudante. A última coisa que precisamos é ser tratados com descaso pelo nosso próprio país!

 

OU SEJA: o Ciência sem Fronteiras e os programas de doutorado no exterior da CAPES estão perdendo a sua função primária que é investir na capacitação da pesquisa brasileira! E isso, amigos, é muito sério. É o dinheiro dos impostos de milhões de brasileiros jogado no lixo, mais uma vez.

 

Por isso, agora pedimos a sua ajuda. Já enviamos uma carta assinada por mais de 50 bolsistas à Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG), que tem como uma de suas funções representar os estudantes na cobrança de seus direitos junto às agências patrocinadoras como a CAPES. Mas isso não é suficiente, queremos que ouçam nossa voz!  Compartilhe este texto e/ou estas informações como quiser.  Mande para seu candidato no Governo, para seu amigo jornalista, divulgue em redes sociais. Faça seus amigos, sua família, e todos que pagam impostos saberem o que está acontecendo com a pesquisa no país.

 

O Futuro do Brasil agradece.

Conheça a BRASCON, conferência voltada para estudantes brasileiros nos EUA

E aí, já sabe o que fazer depois da pós graduação? Como fazer pra usar esse aprendizado todo no exterior pra gerar inovação, crescer na carreira e garantir um emprego?
Três estudantes brasileiras de pós graduação resolveram promover uma conferência aqui, nos Estados Unidos para tentar responder essas perguntas – a BRASCON. Essa idéia cresceu e hoje a equipe conta com 17 membros de 13 estados americanos e 14 universidades.

Nessa conferência, pesquisadores brasileiros que estudaram nos Estados Unidos e que hoje tem alto impacto na comunidade científica, assim como empreendedores brasileiros de sucesso, vão contar um pouco da sua trajetória. Dentre os palestrantes confirmados estão Miguel Nicolelis, Marcelo Gleiser e Leonardo Teixeira.

Além dessas feras da academia, representantes de instituições chave para a ciência e indústria no Brasil e nos Estados Unidos vão participar de painéis de discussão.

E você? Você pode apresentar seu trabalho oralmente ou como poster e de quebra conhecer outros brasileiros que estudam ou trabalham nos Estados Unidos. Esses contatos podem fazer toda a diferença na hora de encontrar colaborações pra sua pesquisa (e quem sabe até um emprego).

Vem pra BRASCON você também! Vai ser dias 12 e 13 de março do ano que vem (provavelmente no seu Spring Break), na Harvard University. Inscrições pelo site brasconference.org.

Fique por dentro da BRASCON, siga a página no facebook: BRASCON no Facebook.

FAQ renovação J1

Olar gafanhoto!

Já passou um ano que você está se estressando estudando e resolveu tirar umas férias no Brasil? Pois é, se você tem o visto J1, vai ter que renovar antes de voltar para a terra do Tio Sam! Mas do not fear my friend! Neste post juntamos as perguntas que temos recebido de nossos fãs leitores e as respostas de quem já passou por mais essa burocracia.

 

Sem mais delongas vamos ao que interessa:

  • Preciso pagar a SEVIS? Não! A taxa SEVIS (Student and Exchange VISitor program) está atrelada ao seu programa de pós e só é necessário pagar uma vez. Como o pessoal que veio com o CsF teve sua SEVIS emitida pela LASPAU, se você desistir da bolsa brasileira e quiser ficar apenas com alguma bolsa da universidade, por exemplo, você talvez tenha que pagar novamente. Mas aí não podemos ajudar, ninguém passou por isso aqui.
  • A renovação é automática? Não! Você vai ter que passar por todo o processo novamente, ir ao CASV, agendar entrevista, pagar aquela taxa marota da entrevista… Mas não tenha medo, é só seguir o lindo passo-a-passo que a gente já fez.
  • Mas eu liguei pra agendar o CASV e o aendente me disse que não preciso ir ao consulado fazer entrevista!??? Pois é, mas tem. Quando você for no CASV, vão te mandar fazer a entrevista de qualquer jeito! E o pior é que talvez não tenha horário disponível no mesmo dia ou no seguinte, então tome muito cuidado nessa parte!!!
  • E o DS-2019, o que faço com ele? Fale com o seu advisor da LASPAU. Você vai precisar de uma assinatura válida (com menos de 1 ano) pra poder renovar o visto.
  • Mas meu DS-2019 não tem mais lugar pra assinar e preciso renovar denovo, o que faço? A LASPAU vai mandar um DS novinho em folha para você, fale com o seu advisor da LASPAU.
  • Posso renovar antes de viajar? Não. Você não consegue tirar visto dentro dos EUA.
  • Posso renovar em outro lugar que não o Brasil? Sim. Você pode renovar em outro país que ofereça esse serviço. Sabemos de casos de gente que renovou no Canadá, México. Informe-se caso tenha que viajar para uma conferência em outro lugar, por exemplo!

 

Se você tiver mais alguma pergunta, mande pra gente que colocaremos aqui na lista. Abaixo temos alguns pontos interessantes:

  • O site de agendamento foi atualizado, talvez você tenha que criar uma nova conta
  • Ná hora de agendar, não selecionar a opção CsF
  • O telefone de ajuda para o visto (ligando a partir dos EUA): 703-439-2340
  • Para agendar, use as opções 3 – 2 – 2 – 2 (vai até falar em português/portunhol com o atendente)
  • Se você é CsF, lembre de pedir autorização para a CAPES/CNPq!

Por hoje é só pessoal!

1 ano no exterior, o que aconteceu até aqui?

Queridos gafanhotos, estamos de volta!

Er, quer dizer, estamos voltando… assim, aos poucos… mas tá indo.

O que dizer sobre esse 1 ano estudando no exterior que passou tão rápido mas já considero pacas? Bom, passou rápido mesmo. Passou tão rápido que é quase inacreditável. A gente chega achando que nesse primeiro ano vai fazer mil coisas, começar um projeto para mudar o mundo, criar algo revolucionário, descobrir a cura de alguma doença… mas não. A gente chega, e senta a bunda na cadeira para ter aulas. Não me levem a mal, minhas aulas até agora foram espetaculares, e tenho certeza que os meus companheiros de equipe irão dizer o mesmo sobre as deles. Vou contar um pouco sobre a minha experiência, e saibam que dependendo do curso e da Universidade, isso pode variar.

Aqui na Tulane University eu preciso estar matriculada em 12 créditos por semestre para ser considerada aluna Full Time. Isso equivale a 4 matérias de 3 créditos. Então nesses 2 semestres eu completei 8 matérias, ou 24 créditos. Para me formar eu preciso completar 54 créditos, o que dará mais 2 semestres com 4 matérias cada e um outro semestre exclusivamente para Gross Anatomy. Para aqueles que não sabem eu estudo Physical Anthropology, com ênfase em Forensic Anthropology.

Objeto do meu trabalho cursando Forensic Anthropology

Além das 4 matérias cursadas eu também sou RA (Research Assistant). Ou seja, além de estudar para as minhas aulas diárias, eu também faço horas de pesquisa no laboratório. Se eu pudesse resumir os meus dias seria: chegar para as aulas as 9h e sair da Universidade as 17h, chegar em casa e continuar trabalhando. Obviamente esse é o MEU horário, isso varia muito dentre todos os alunos de outras Universidades e inclusive dentre meus próprios colegas de departamento. Eu, por exemplo, gosto de acordar cedo (5:30h) para afazeres saudáveis (leia-se ir para a academia para não virar uma bola), gosto de tirar uma soneca à tarde, e muitas vezes prefiro escrever projetos, papers e estudar a noite. Mas novamente, isso funciona pra mim, e cada um tem a sua maneira de se organizar (para dicas de organizacao entre neste link)

Como eu ia dizendo, aulas e laboratórios enchem o meu dia, mas eu ainda preciso de tempo para: estudar, comer, escrever, pesquisar e um tempo para não pensar em nada porque ninguém é de ferro. Minha experiência com as aulas foram excelentes. Além de professores extraordinários, eu tive ótimos colegas de classe. Aqui na Tulane muitas das classes são uma mistura de Undergrads e Graduate students (entre neste link para entender a diferenca), porém, algumas coisas são diferentes, como por exemplo, nós Graduate students temos uma sessão de discussão de artigos após as aulas (inclua isso no seu dia), onde devemos ler um determinado artigo antes da discussão e o apresentamos para o resto do grupo. Também devemos escrever um Final Research Paper, que aqui na Tulane varia entre 15 e 20 páginas, o que é quase um projeto: escolhemos um tema, colocamos uma tese, e tentamos prová-la ou refutá-la com base na literatura e pesquisa própria. Eles geralmente devem ser entregues no último dia de aula e valem uma grande parte da nossa nota, em torno de 30%. O resto fica distribuído entre provas (sim, 3 provas), participação, discussão dos artigos e alguns outros mini testes.

Meus momentos de não pensar em nada se resumem geralmente a um dia, ou sexta a noite, ou sábado. É quando eu tiro tempo para ver os meus seriados favoritos, sair com os amigos, ou para ler qualquer coisa não relacionada ao meu curso ou minhas aulas. Anotem: ISSO É NECESSÁRIO! É preciso ter um dia de descanso e, sabendo se organizar, dá pra fazer tudo sem peso na consciência.

Vivendo em New Orleans o que não me falta são coisas para fazer. A cidade ferve todos os dias da semana. As pessoas são amigáveis e prestativas, o clima é agradável na maior parte do tempo (exceto no verão, verão aqui é insuportável). O meu departamento, Department of Anthropology, é bastante unido, professores e alunos se dão super bem e inclusive fazem social juntos. Temos algumas festas que envolvem ver o seu orientador fantasiado de Malévola (er, Halloween), e muitas outras coisas mais. Fiz grandes amigos aqui, e tenho certeza que isso me ajudou bastante durante todo esse ano que passou. Meus amigos Abroaders também têm um espaço importante nesse trajeto todo, sempre nos falamos e compartilhamos aflições e conquistas. As pessoas ao meu redor fizeram esse 1 ano ser o mais proveitoso possível.

TL;DR: Apesar de ter uma carga enorme de aulas, pesquisa e estudos, eu só tenho a agredecer por tudo o que aconteceu nesse 1 ano que passou. A quantidade de conhecimento que eu adquiri é imensurável e as minhas aulas, assim como pesquisas, foram extraordinárias. Mesmo com um calendário cheio de tarefas, preciso de um dia para relaxar, e ter um círculo de grandes amigos com certeza me ajudou nisso tudo.

Logicamente, isso nunca seria possível sem a bolsa do CsF, e se você quer ter essa oportunidade, leia o nosso site e descubra o que fazer e como se preparar para se candidatar ao Doutorado.

Webinar – Orientação Pré-partida

Webinar - Abroaders
Depois de muito preparo, preenchimento de applications, envio de documentos e meses de espera pelos resultados, a tão sonhada admissão para uma universidade chegou!

O Abroaders, em parceria com o EducationUSA, organizou um webinar cheio de orientações pré-partida. Conversamos sobre o que esperar de sua vida acadêmica no exterior, a viagem de ida, o que levar e muito mais!

O webinar aconteceu no dia 28 de Julho de 2014. Clique aqui e assista na íntegra!

Gostaríamos de agradecer a Marta Bidoli Fernandes e toda a equipe do EducationUSA pela disponibilidade e boa vontade em realizar o webinar e nos ajudar no processo de mudança! Muito obrigado!

PS.: por razões técnicas, o webinar ficará disponível por seis meses a partir da data de sua realização. Mas fique ligado pois haverão muitos outros para te ajudar nessa jornada! 😉