Passei em muitas: como escolher? Critérios na hora de escolher a universidade após a aprovação!

E aí Abroaders!

Então você fez tudo direitinho, passou por todas as etapas, pelas siglas LoR, SoP, GRE, TOEFL, etc… E ficou na expectativa dos resultados das universidades. A ansiedade aumenta e você já não dorme (não come e não f…er…, deixa pra lá), a tecla F5 do seu teclado já está gasta, você está com o thegradcafe aberto constantemente (explico sobre este site mais abaixo), e nada … been there bro.

Aqui vai a primeira dica: o site www.thegradcafe.com, para quem tem um espírito masoquista para quem quer acompanhar os resultados das universidades, é uma comunidade com estudantes que se inscreveram em grad schools, mais focado nos EUA e Canadá. A ideia principal do site é simples: cada um que recebe o resultado de sua inscrição vai até a comunidade e publica em qual curso e universidade foi aprovado, suas notas e outras informações. É bem interessante, e falaremos novamente sobre o gradcafe mais abaixo, pois ele possui ainda outras utilidades.


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Voltando ao assunto… Enfim chega o momento, nada no e-mail ainda, mas você observa no gradcafe que estão divulgando resultados de uma universidade que você se inscreveu, mas que coisa, que alegria, que emoção! Bom, além de esperar informações por e-mail, você deve checar o site da universidade, então, depois do log in, você tem uma notificação que a decisão foi tomada, enquanto espera o link abrir, o coração na boca……bomba, rejected.

É meu amiguinho, sensação devastadora. Não, não é o fim do mundo, mas foi tanto esforço, tanta espera, para nada. Você sabia que era a universidade mais difícil de entrar e você nem queria tanto, mas não importa, um rejected abala a confiança de qualquer um, e ninguém entenderá porque tanto drama, só quem passou por isso. Mas siga em frente que ainda tem bala na agulha.

Certo, agora a ansiedade chega a níveis master, mais duas semanas e nenhum outro resultado chega. Nas comunidades do Facebook já tem um monte de gente recebendo suas aprovações e você chupando o dedo. Indo direto ao assunto, tudo o que você quer neste momento é algum sim, qualquer um, nem precisa mais ser de sua top choice. Começa a fazer promessa de não checar o gradcafe e os sites das universidades por pelo menos um dia.

Agora seu telefone vibra (cada notificação será um mini ataque cardíaco), novo email – É DA UNIVERSIDADE – rapidamente abre e… aprovado!!!

https://www.youtube.com/watch?v=76QlNWVleC4

Nossa, você chora, pula, não acredita, ou nem consegue ficar feliz ainda pois a tensão foi tanta que você está meio emotionless, mas a ficha cai logo! Acabaram as preocupações certo? Claro! Passei! *confetes*

Aí, você já com mil planos, um dia depois chega novo email com nova aprovação!!! Explode coração! Agora você já está se sentindo o pica das galáxias! Nossa, opção de escolha, que máximo. Tá, e agora, como escolher? Drama queen… Mas as coisas ainda podem se complicar mais (mas convenhamos, não é uma complicação tão ruim), você pode ter um prazo para aceitar uma oferta de admissão, e este prazo vencer ainda antes de você conhecer o resultado das outras que você se inscreveu (isto sim é complicado).

Bom, vamos lá, chega de historinhas, se você se encaixa em alguma destas situações este post apresenta algumas coisas que podem te ajudar na prática a escolher onde você vai passar os seus próximos 4 anos. A principal de todas é feita bem antes, quando você escolhe para quais universidades você vai se inscrever.

É claro que neste momento já sabemos que o principal nesta escolha é o programa em si, um bom encaixe acadêmico com sua linha de pesquisa e um bom contato com um possível orientador. E muitas vezes é apenas isto que olhamos quando decidimos aonde aplicar. Fazemos nossa listinha das top 5, tudo bonitinho. Mas as coisas podem mudar muito durante o longo período de espera. O contato com um orientador ficou excelente e outra universidade virou top, ou um orientador sumiu do mapa, ou o departamento ofereceu grana extra, nossa, muita coisa pode mudar desde que você fez aquela lista. Mas no fim das contas, se tudo estiver meio empatado, você pode levar em consideração: como é a cidade, o clima, as pessoas, o custo de vida, estilo de vida, etc. Parece bobagem agora né, mas serão quatro anos, e para quem vai com dependentes então, os pesos mudam.

Por isto que uma boa pesquisa inicial vai ajudar muito. Pode ter casos em que, depois de ter passado na universidade você resolve pesquisar sobre a cidade, e alguma coisa muito fora das suas características te faz pensar: eu não quero morar ai por tanto tempo. Bom, se você tivesse visto isto antes te pouparia uma inscrição e muito trabalho.

O que vai acontecer neste momento de escolha é uma verdadeira competição entre suas opções, e para ajudar você pode criar critérios de aspectos que você considera importante e dar notas, o peso de cada conceito vai variar de acordo com suas prioridades. Alguns critérios que acredito que podem ajudar:

Melhor encaixe de seus interesses com o programa;

Corpo docente / relação com possível orientador;

Oferta de renda extra, como bolsas de RA/TA;

Ranking da Universidade (questionável, mas em algum nível pode te ajudar a aceitar alguma escolha, eu colocaria um peso mais baixo em detrimento aos anteriores);

Estilo da Cidade;

Custo de vida;

Opções de moradia;

Coisas para fazer;

Mobilidade, caminhabilidade;

Segurança …

A lista de fatores a se considerar na cidade é grande e, novamente, vai variar de pessoa para pessoa. Uma coisa é fato, se você pretende ir com dependentes (cônjuge, filhos), a cidade irá pesar bastante na sua escolha.

Então vamos lá, quanto aos primeiros itens não tem muito segredo, o post sobre achar universidades do Abroaders já ajuda nisto. Considere também o Monthly Maintenance Rates (MMR), que é o valor mínimo exigido (para fins de encaminhamento do processo de visto) para a sua cidade/região, e o quanto você receberá de bolsa, se ficar abaixo no valor mínimo você será obrigado a complementar. Uma boa estratégia é abrir o jogo com seu possível orientador, às vezes eles conseguem alguma coisa para você. Mas cuidado para não sair pedindo dinheiro para todas, mesmo naquelas que você não tem muita intenção de ir, pois já pensou, conseguem tudo o que você pediu e ainda assim você declina…Acontece, mas nunca é muito bom; deixe para usar o funding game para aquelas que você tem real intenção de ir.

Agora quanto à cidade tem duas dicas muito importantes, que podem ser usadas durante todo o processo: O City-data e o TheGradCafe.

O GradCafe além de ser uma ótima ferramenta para acompanhamento dos resultados, possui um fórum com foco em grad schools, excelente mesmo. Recomendo explorar as várias seções, mas referente ao nosso dilema, é o cityguide que irá trazer algumas respostas. As diferentes seções ficam mais ou menos ativas ao longo do ano. Praticamente todas as cidades que possuem grandes universidades tem um tópico próprio. Leia bem sobre a cidade, poste perguntas, mas principalmente, identifique membros com mais conhecimento dos locais e entre em contato diretamente por mensagem.

 

Agora, eu não consigo recomendar suficientemente o City-Data, é O site para buscar informações de cidades americanas.

citydata

 

Na primeira parte, você insere o nome da cidade e faz a busca. A quantidade de informações que retorna é ridícula, tem tudo, dados censitários, clima, economia, mapas interativos, criminalidade, orientação política (!), lista de estabelecimentos comerciais, e muuuuuito mais coisas. É realmente incrível, perca invista seu tempo com boas leituras e comparações neste site.

Mas você acha que um monte de dados é muito superficial, você é mais quali do que quanti? Sem problemas, entre no fórum do site, aí a brincadeira fica boa. Por experiência própria, o pessoal deste site é muito prestativo. Existem várias seções, por estados, cidades, sempre vai ter algo que você procura. Se não houver, poste sua dúvida, tenho certeza que logo terá respostas. Os americanos são, em geral, mais acostumados a se mudar ao longo da vida, e este site tem sido muito utilizado como fonte de informação. Aqui é importante para você descobrir o “estilo de vida da cidade”, descreva um pouco o que você busca ou pergunte especificamente, por exemplo, se a cidade tem um estilo mais urbano, com pessoas caminhando na rua até mais tarde, comércio vasto e aberto; ou uma cidade mais tranquila, aonde todos se conhecem e são amigáveis com estrangeiros.

Isto tudo é ainda mais importante com dependentes. Imagine você estudando como um maluco no seu PhD, seu cônjuge ainda não pode trabalhar (lembre que o visto J2 até permite trabalhar, mas a autorização demora), e talvez não tenha achado nada para estudar ainda. Como será a qualidade de vida da família? Querem um lugar mais afastado, ou preferem um lugar aonde possam fazer mais amigos, sair na rua e encontrar pessoas. Filhos? Como são as escolas, a vizinhança, o espírito de comunidade. É queridos amigos, percebem como analisar bem isto tudo ainda no início vai facilitar sua vida?

Outros sites de busca de moradias ajudam a dar uma ideia de como é a oferta e a tipologia das habitações disponíveis nas cidades, para listar alguns: Trulia, HotPads, PadMapper, Rent, Walkscore, são alguns exemplos.

E claro, nunca esquecer dos básicos, como o Google Street View e o YouTube. Dar uma passeada pela cidade com o street view pode dar uma visão completamente diferente dos tradicionais mapas. Mas são imagens estáticas, então um bom vídeo amador no YouTube pode ajudar muito. É muito comum encontrar reviews feitos por estudantes turistas ou moradores, em vídeos com os termos driving in…, how is life at…, getting to know…, etc., e a cidade que você quer conhecer.

A última dica que deixo aqui é tentar ao máximo um contato direto com estudantes da universidade que você vai, e melhor ainda se for do mesmo programa. Normalmente se você pedir a alguém do departamento, eles fornecem o contato de algum estudante disposto a ajudar. Pergunte tudo, como é a vida lá, o que fazem nos fins de semana, como é o ritmo de estudos, opções de moradia, e muito mais, pergunte mesmo. Muitas vezes eles irão sugerir um Skype call para facilitar.

Ah, lembra aquela situação em que você tem um prazo para aceitar ou não uma oferta que irá vencer antes mesmo de você conhecer todos os resultados? Uma alternativa é simplesmente pedir mais prazo. Seja honesto e diga por que você precisa de mais tempo, seja porque você precisa conseguir mais dinheiro para atingir o MMR, ou porque você ainda está esperando outros resultados para poder tomar uma decisão mais consciente. Acredite, este tipo de situação é comum e natural para eles, dificilmente você não conseguirá mais algum tempo. Mas fique ciente que nem sempre será suficiente, pois tem programa que solta resultado em fevereiro e outros só em maio, por exemplo, conseguir segurar a oferta aberta será um desafio nestes casos.

Bom, a intenção deste post era mais de preparar você para o que pode vir, garanto que se muito deste trabalho for feito antes mesmo de definir as suas opções para aplicação, o processo de escolha será muito mais fácil no final.

É isso aí, tome notas de todos os fatores que você acha importante, atribua pesos e valores, inclua sua família e amigos (muitas vezes simplesmente falar do que você gosta ou não gosta de cada opção para alguém irá clarear e muito sua mente), compare tudo e seja feliz! Afinal, você teve opções!

Depois virá a parte chata de avisar àquele professor super querido, que sempre te apoiou, que infelizmente você escolheu outro programa… doí viu, mas isto é assunto para outro post!

E aí, alguma dica de onde buscar informações para ajudar na escolha? Compartilhe conosco nos comentários.

DOIS ERROS para você evitar ao se candidatar a uma pós no exterior: um depoimento de Luiza Cruz

Hoje temos uma inspiração para vocês!

O nome dela é Luiza Cruz, ela é mineira, formada em Farmácia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e está a caminho do seu doutorado em Química na Imperial College London. Mas para chegar lá, teve que driblar algumas pedras no caminho…

A hora da candidatura vai chegando e você fica igual a siri na lata, perguntando:

“tem alguém que NÃO passou? Alguém que foi aceito pelo programa de bolsas (como o Ciência sem Fronteiras, por exemplo) aqui no Brasil mas foi recusado pelas universidades??”
“tem alguém que NÃO passou? Alguém que foi aceito pelo programa de bolsas (como o Ciência sem Fronteiras, por exemplo) aqui no Brasil mas foi recusado pelas universidades??”

Well, jovem, tenho uma boa e uma má notícia pra vocês, mas vou dar a má primeiro (como sempre):

SIM, TEM GENTE QUE NÃO É ACEITO POR NENHUMA DAS UNIVERSIDADES.

Mesmo tendo milhares de experiências acadêmicas, estágios, o diabo a quatro.

Oh, céus, mas POR QUÊ???
Oh, céus, mas POR QUÊ???

Porque eles não conheciam os Abroaders  cometeram alguns erros muito comuns, que parecem bestas mas são desastrosos. Pode dar a boa notícia agora?

Temos aqui uma candidata que TENTOU DE NOVO, PASSOU, e veio dar as dicas de como NÃO repetir esta experiência – a não ser que você curta fortes emoções, viver perigosamente, e tal… daí você pode ser nosso próximo exemplo de superação, mas garanto que prefere seguir as dicas da Luiza e ser feliz logo de primeira. Então, com vocês, Luiza Cruz!

“Quando eu comecei o meu primeiro processo para realizar o doutorado no exterior pelo Ciência sem Fronteiras, em agosto de 2012, nunca achei que somente dois anos depois finalmente conseguiria. Estava realizando o estágio final da faculdade em uma indústria, já havia feito um estágio em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) em um instituto na Suíça, participado por três anos de projetos de iniciação científica e ganhado prêmio de destaque acadêmico na minha turma de graduação. Hoje, posso ver claramente meus dois maiores erros naquela primeira vez: escolha do orientador/programa e a elaboração da SoP (Statement of Purpose).

Pode parecer meio óbvio, mas na pós-graduação você tem um grau maior de interdisciplinaridade e por isso mais opções de programas e orientadores. Em 2012, eu não sabia como era o processo para ser admitida e acabei fazendo escolhas erradas. Não pesquisei direito e nem mantive contato com os professores, ou seja, o caminho certo… se você deseja fracassar. E foi depois de um fracasso total no primeiro ano que decidi tentar de novo.

Pensei: o que eu quero fazer depois do doutorado?

A resposta estava na ponta da língua e então comecei a listar o que eu precisava e quais programas e orientadores poderiam me ajudar a chegar lá.  Mudei de área e mantive contato com vários potenciais orientadores (acabei nem me candidatando para todas as universidades). Para ter certeza do research fit, ou seja, se os meus planos de pesquisa se encaixavam com os interesses dos orientadores, fiquei de olho nas publicações mais recentes dos grupos de pesquisa (em quais periódicos, com qual freqüência publicavam e as colaborações mais importantes). Depois de muita pesquisa, eu fechei minha lista com a certeza de que em qualquer um dos grupos eu seria bem-vinda e de que a pesquisa tinha tudo a ver comigo.

Segundo e mais importante, SoP. Hoje eu sei que meu primeiro SoP foi digno de dó. Parecia mais uma versão em texto do meu currículo. Na minha segunda tentativa, eu tirei tudo que já estava no meu currículo e foquei no que era realmente importante:

Por que eu, e não outra pessoa, tinha que ser escolhida?

Mostrei por A + B (com citação e tudo!) que não só eles eram a minha escolha lógica como também eu era a deles. Na média, cinco parágrafos e uma página e meia foram suficientes para mim. Antes de submeter, eu pedi a uma amiga inglesa, ao meu ex-mentor que é doutor na minha área e que tem o emprego dos meus sonhos e a minha irmã para avaliarem meu texto. No total, fiquei quase 5 meses trabalhando no meu texto. E se eu o ler hoje, com certeza ainda mudaria muitas coisas. Por isso, gaste o máximo de tempo e esforço que der nele, vai valer a pena.  

Assim que percebi o fracasso iminente de 2013, decidi que iria fazer de tudo para levar a minha candidatura a outro nível. Pensei nas coisas que poderiam ser melhoradas. GPA da graduação? Já era. Refazer os testes? Muito trabalhoso, mas possível. Refiz o GRE e melhorei minha nota (não acredito que o GRE seja o fator decisivo em uma application, mas também não atrapalha e, se você tem o tempo e o dinheiro, por que não?).

Agora o ponto mais crítico e talvez mais trabalhoso. Eu sabia que não podia ficar simplesmente um ano parada (academicamente falando) e seria muito bom ter mais experiência em pesquisa na área. Solução? Mestrado. Não pelo título em si, mas pela experiência em pesquisa, que nunca é demais. Também me ajudou o fato do mestrado ser na nova área escolhida e, portanto mostrou aos avaliadores que mesmo sendo de outra área eu poderia dar certo no programa deles.

Mas mesmo sendo cuidadosa, ainda cometi alguns erros. Uma das muitas exigências dos programas de pós-graduação nos EUA é o GRE Subject [nota dos Abroaders: em nosso material sobre o GRE, falaremos sobre isso]. Entre os top 20 programas da minha área, somente um ou dois não exigem o teste. E se você quer ir para as melhores universidades (quem não quer?), se prepare para enfrentar forte concorrência aqui. Na minha área, é bastante comum ver norte-americanos com 60, 70% sendo aprovados nos melhores programas, sendo que para estudantes internacionais a média fica acima de 90%. Além disso, o teste pode ser oferecido até três vezes por ano, mas no Brasil geralmente apenas duas datas são disponibilizadas. Ou seja, não deu tempo de estudar e quando fui ver já não havia mais data disponível e acabei não fazendo o teste.  Ainda dá tempo de checar esses requerimentos e não bobear que nem eu (geralmente, as provas são em abril, setembro e novembro).

Enfim, depois de dois anos de muita correria, finalmente colhi os frutos. Fui aceita em 3 de 4 das minhas universidades (na quarta fiquei na lista de espera), fui chamada de top candidate em uma, chorei para escolher outra, mas… so far no regrets.

Em outubro vou começar meu doutorado para fazer exatamente o que eu sempre quis fazer e com a certeza de que foi a melhor escolha.”

Lindo, não? Aposto que ficou com os olhos marejados aí. Pois respire, volte à vida real e releia o texto com cuidado, porque a Luiza deu dicas muito importantes aqui! Muitas delas você verá novamente em breve, em nosso material sobre SoP que estamos preparando com cuidado.  Ah! Se quiser saber mais sobre como encontrar seus orientadores e universidades, clique aqui.

Abraço dos Abroaders!